Papai Noel vai para o home office para garantir o Natal de todos

Foto: Jéssica menkel/ Divulgação Shopping RioSul

Para que a magia do Natal exista neste ano de pandemia, o Papai Noel foi colocado em home office. Com o uso de tecnologias e internet, o bom velhinho, que faz parte do grupo de risco, vai atender aos pedidos virtualmente, evitando a propagação da Covid-19.

Os shoppings, que tradicionalmente montam a Casa do Papai Noel para atrair consumidores, se adequaram e contrataram Noéis para conversar com as crianças por lives transmitidas dentro do empreendimento, chamadas de vídeo por WhatsApp e até drive-thru para fotos com proteção.

Os lojistas confiam que o investimento aqueça as vendas na crise econômica. “Mesmo na pandemia, o Papai Noel e a decoração de Natal trazem gente ao shopping. A família vai passear para ver a decoração. Colabora com a renda do shopping”, diz Luis Augusto Ildefonso, diretor institucional da Alshop (associação de lojistas de shopping).

Do ponto de vista do trabalho, os papais noéis dizem que os preços do atendimento não mudaram muito em relação a 2019. Segundo a Alshop, no ano passado, os papais noéis de shoppings receberam entre R$ 8.000 e R$ 18 mil por período de 30 a 40 dias de trabalho.

“Estou mantendo os [preços] do ano passado, apesar da inflação, do preço da carne, do pão, do arroz, do feijão…”, diz o Papai Noel Renato Souza, 69 anos. “Este ano está atípico. No shopping, por ser um período menor, recebi um pouco a mais na diária, mas, no valor final, menos”, conta João Luiz Romanich, 68 anos, que complementa sua aposentadoria como Papai Noel.

Entre os papais noéis que se adaptaram, há velhinhos até dispensando contratos. Por outro lado, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo não abriu seleção para o curso gratuito de formação de papais noéis neste ano, afirmando que o comércio de rua não está contratando os profissionais. Já as agências dedicadas à figura natalina ampliaram o repertório de estudos.

“Neste ano, os treinamentos foram feitos visando o atendimento por distanciamento social. A seleção [dos Noéis] foi como sempre pela simpatia e personalidade do Papai Noel”, afirma Ildefonso. O Papai Noel Romanich montou um cenário em casa para fazer as gravações e está trabalhando com duas fotógrafas. “Fiz alguns vídeos para postagens nas redes sociais para um shopping e além disso, estou fazendo vários vídeos, direto com pais, incentivando as crianças a fazerem as cartinhas e para os pais mostrarem à criança, no dia da entrega do presente”, conta.

Para os Noéis com dificuldades em usar câmera, bater papo pela internet e enviar vídeos, a saída é esperar pelos contratos presenciais, em menor número por causa da pandemia. “Estou esperando o shopping onde trabalhei no ano passado definir como será o Natal deles neste ano, mas já tenho agendadas seis casas para visitar na noite do dia 24”, conta o Papai Noel Paulo Gomes da Silva, 67 anos, que há 17 anos veste o traje vermelho de veludo.

Silva espera que o shopping ofereça condições para gravar lives e vídeos, caso o atendimento não seja presencial. “Em casa não dá. Tenho três netos e na rua passam carros vendendo ovos, churros”, conta. A preocupação se junta a de outros papais noéis que contam que o número de horas de trabalho aumentou ao longo dos anos, e as condições, pioraram.

“O velhinho, normalmente aposentado, trabalha para tentar engrossar a verba. Mas não pode matar o cara no fim do ano. Tem que ter um limite. Toda vez que há uma concordância em fazer essas coisas, está deturbando o tipo de trabalho”, diz o Papai Noel Renato Souza.

Fonte: Folha de Pernambuco | 28 de novembro de 2020.