O salto dos marketplaces, sites para comprar e vender produtos

Foto: Exame

Quando a administradora Mariana Mello resolveu abrir o próprio negócio, a Chic Sleep Pijamas, e investir em um e-commerce, sua ideia, desde o princípio, foi começar as vendas na loja virtual e também em marketplaces, como Mercado Livre e Rededots. “Como os marketplaces são empresas maiores, eles investem bastante em marketing e fazem com que a gente, que é pequeno e não tem muitos recursos, tenha um parceiro para dar visibilidade e captar clientes”, explica.

Assim como Mariana, um grande número de empreendedores encontra nos marketplaces, lojas virtuais que reúnem diversos fornecedores, uma forma de começar a vender na internet e de fazer essas vendas renderem mais. Pesquisa do Sebrae mostra que os marketplaces se tornaram o principal canal de vendas na internet, com a preferência de 52% das empresas em 2018.

Em 2016, o canal era utilizado por 24% dos negócios. Foi o crescimento mais expressivo entre as plataformas de comércio online. A flexibilidade das empresas que atuam com marketplace em aceitar empresas de pequeno porte, a menor exigência de quantidade mínima de produtos ou lotes exclusivos para vendas, e a proposta de negociar essa parceria com mais condições de “ganha- ganha” são alguns dos fatores apontados pelo consultor do Sebrae-SP Edgard Neto para explicar o aumento do uso da plataforma.

“Além disso, trata-se de mais um canal de vendas para o pequeno negócio que não tem seu próprio e-commerce ou que, mesmo com o e commerce próprio, quer disseminar e mostrar a mais consumidores potenciais seus produtos e serviços”, complementa. No caso de Mariana, os marketplaces representam 35% do faturamento da empresa, enquanto que a loja própria online corresponde a 15%.

Entre as vantagens da venda no marketplace, o consultor destaca a divulgação e aumento da visibilidade da marca com a venda em mais de um canal, assim como a credibilidade da plataforma. “Estar em um shopping virtual garante uma diversidade de público que vai encontrar várias opções em um único local”, diz.

Outra vantagem é a melhoria do SEO, sigla em inglês para “search engine optimization” – ferramentas responsáveis pela melhoria da indexação da marca e do site do pequeno negócio por estar vinculado a um marketplace de mais relevância. Em termos práticos, o objetivo é melhorar a posição em que os produtos aparecem nos mecanismos de busca, como o Google.

Por outro lado, a venda na plataforma terá uma margem de lucratividade menor, eventuais exigências de volumes de vendas ou lotes destinados a venda pelo marketplace, o que pode afetar a personalidade da marca. Isso significa que tanto a empresa pode acabar criando uma dependência eterna desse modelo de negócio para venda, como que os clientes percam o interesse em visitar sua loja online.

E existe a hora certa de sair do marketplace e investir no próprio site? Segundo o consultor do Sebrae- SP, esse é um grande dilema para o empreendedor. Uma das recomendações é conciliar as duas plataformas de vendas, mas antes de qualquer decisão, Edgard Neto destaca a elaboração de um plano de negócio para que todos os pontos importantes das operações sejam previstos e planejados.

Fonte: Exame | 27 de agosto de 2019