Vestuário com ritmo mais lento no Natal

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O varejo de vestuário espera crescimento de vendas no Natal deste ano em comparação com 2017, mas em ritmo mais lento que o observado durante a Black Friday. É uma previsão semelhante à do restante do varejo. Essa avaliação preliminar é da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), que reúne as principais redes de varejo de moda do país, como C&A, Forever 21, Cia. Hering, Marisa, Inbrands, Renner, Restoque, Riachuelo e Zara (Inditex).

“As grandes varejistas tiveram um desempenho bom durante a Black Friday. Já na primeira semana de dezembro as vendas ficaram abaixo da estimativa. A expectativa é que os consumidores vão deixar as compras para o último momento”, afirmou Edmundo Lima, diretor-executivo da Abvtex.

Ainda não há estatísticas fechadas sobre as vendas do varejo de vestuário durante a Black Friday. De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em parceria com a FX Retail Analytics, entre os dias 23 e 25 de novembro, período de realização da Black Friday nos shoppings brasileiros, o fluxo de visitantes foi 79% maior em comparação com um fim de semana habitual. Em relação à Black Friday de 2017, o crescimento foi de 4,5%.

O Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), indicou aumento de 10,6% nas vendas totais do varejo, no dia 23 de novembro.

A Boa Vista estima que as vendas do varejo como um todo cresceram 4,7% na Black Friday. Para o Natal, a empresa de pesquisas estima aumento de 3,5% em volume, abaixo do crescimento do Natal do ano passado, quando houve crescimento de 4,2%.

Marcelo Prado, diretor da Iemi Inteligência de Mercado, observou que as grandes redes de varejo de vestuário tradicionalmente apresentam desempenho acima da média do mercado e que essa tendência deve prevalecer também em 2018. Para o ano como um todo, o Iemi estima para o setor um crescimento de 1,6% em faturamento nominal, em comparação com 2017, e uma queda de 0,7% em volume.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado de janeiro a setembro, as vendas de tecidos, vestuário, calçados e acessórios apresentavam uma queda de 3% em volume, em relação aos nove primeiros meses de 2017, com queda de 1,2% em receita nominal.

“As vendas do Natal devem ser maiores que no ano passado, mas ainda não será uma grande recuperação. Por enquanto, apenas as classes A e B deram sinais de retomada do consumo”, afirmou Prado. “Uma recuperação mais forte só será observada no ano que vem.”

A Iemi e a Abvtex também ponderaram que as redes varejistas ainda trabalham com estoques apertados no quarto trimestre, de forma que um crescimento mais forte da demanda nas últimas semanas de dezembro poderia gerar falta de produtos nas lojas.

Esse risco decorre do fato de que a maioria das indústrias de confecção paralisam as atividades na última quinzena do ano. E, por enquanto, não há notícias de fabricantes cancelando férias coletivas para atender às encomendas de última hora.

Fonte: Valor Econômico | 13 de dezembro de 2018