Vendas online no Brasil crescem 47% no 1º semestre, maior alta em 20 anos

Foto: Exame

A pandemia impulsionou milhares de vendedores e milhões de novos consumidores para o comércio eletrônico. Com isso, o e-commerce brasileiro cresceu em níveis não vistos nos últimos 20 anos. Segundo pesquisa da Ebit/Nielsen, feita em parceria com a Elo, o faturamento com as vendas online subiu 47% no primeiro semestre, totalizando 38,8 bilhões de reais. Ao todo, foram feitos 90,8 milhões de pedidos entre janeiro e junho de 2020.

O e-commerce já vinha crescendo nos últimos anos e estava projetado para crescer 18% em 2020 antes da pandemia. Porém, é inegável o efeito propulsor que o isolamento social teve no comportamento de compra. O pico do e-commerce aconteceu entre 5 de abril e 28 de junho, quando a maior parte das cidades brasileiras estava com medidas para conter a circulação de pessoas. Nesse intervalo, o número de pedidos cresceu 70% na comparação com 2019. 

Não só aumentou o número de vendas como também subiu o valor gasto pelas pessoas em compras online. O tíquete médio passou de 404 reais no primeiro semestre de 2019 para 427 reais agora. 

Além disso, cerca de 7,3 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra online durante o primeiro semestre de 2020, um crescimento de 40%. Com isso, o Brasil chega à marca de 41 milhões de usuários ativos no e-commerce. Desse total, 58% compraram pelo menos quatro vezes ao longo do semestre e 20% realizaram mais de dez pedidos no período.

“O resultado do primeiro semestre deixa claro que o comportamento de compra online é um movimento que veio para ficar”, diz Julia Avila, líder da Ebit/Nielsen. A diretora aponta que 93,4% dos consumidores ouvidos pela pesquisa indicaram a intenção de voltar a comprar online nos próximos três meses, o que indica que a tendência de crescimento deve continuar no segundo semestre. 

E os clientes não estão comprando só em sites tradicionais, como Mercado Livre, Americanas e Magazine Luiza. Os aplicativos foram responsáveis por boa parte das vendas. Segundo a Ebit/Nielsen, 72% dos 2.140 consumidores ouvidos entre os dias 1º e 13 de julho deste ano, usaram ou estão usando mais aplicativos de delivery durante a pandemia. Os setores que mais se destacam são farmácias e supermercados, responsáveis pela entrada de 10% e 14% dos novos consumidores. 

Foto: Exame

Digitalização do pequeno varejo

Todo o crescimento de número de vendas não teria sido possível sem um aumento no número de lojistas vendendo online. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), 150.000 novas lojas online foram criadas de março a julho no Brasil. 

Com as lojas fechadas, a pressa para começar a vender pela internet fez 80% desses novos vendedores optarem por realizar suas vendas dentro de grandes sites, como Submarino, Mercado Livre e Magazine Luiza. Com seus marketplaces, essas varejistas atuam como “shoppings digitais”, levando um fluxo de consumidores até a loja virtual dos pequenos que usam sua plataforma. De quebra, eles ainda podem utilizar a infraestrutura logística das gigantes.

Os marketplaces já representam 78% do total do e-commerce brasileiro, segundo a Ebit/Nielsen. Nos primeiros seis meses de 2020, eles foram responsáveis por 30 bilhões de reais de faturamento do e-commerce, um crescimento de 56% em relação ao mesmo período de 2019. 

Essa alta foi possível por que milhares de lojistas que, até então, estavam trabalhando somente com a loja física, decidiram dar uma chance ao online para sobreviver. De acordo com a pesquisa, as lojas que trabalham tanto no online quanto no offline representam 73,1% das vendas digitais no Brasil hoje. No primeiro semestre, elas registraram 57 milhões de pedidos, 54% mais que no mesmo período de 2019. Já os lojistas 100% digitais cresceram 26%, totalizando 9 bilhões de reais em faturamento. 

Para atrair esses pequenos lojistas do varejo físico para seus espaços, empresas como Mercado Livre, Magazine Luiza, B2W e Via Varejo criaram uma série de mimos e descontos exclusivos. Assim, elas conseguem ajudar os pequenos vendedores e, de quebra, abocanhar uma parte do valor de cada venda feita.

Fonte: Exame | 27 de agosto de 2020