Vendas do varejo dos EUA sobem em 7,5% com reabertura de lojas

Foto: Mercado & Consumo

As vendas do varejo dos Estados Unidos cresceram em 7,5% em junho, com a reabertura de parte das lojas e restaurantes do país, reportou o Departamento do Comércio americano, mas uma recente alta no número de contágios pelo coronavírus pode voltar a atenuar os gastos.

A alta nas vendas do varejo em junho surge depois das medidas da lockdown adotadas para deter a pandemia no segundo trimestre, que causaram um choque econômico e uma queda recorde nas vendas do varejo e em outras atividades econômicas.

Medidas de estímulo do governo, como por exemplo a extensão do seguro-desemprego para os trabalhadores demitidos, e mudanças nos padrões de consumo causadas pela pandemia ajudaram a propelir a recuperação.

Marshal Cohen, principal consultor setorial do NPD Group, instituto de pesquisa de mercado, disse que a queda nos gastos no segmento de experiência, por exemplo shows musicais e acampamentos de férias, causada pela pandemia havia deixado mais dinheiro à disposição dos consumidores para o consumo de itens tangíveis, como televisores e equipamento de ginástica, o que ajudou a impulsionar o avanço nas vendas do varejo.

Mas os economistas ainda assim dizem que a recente alta no número de casos de coronavírus pode frear novamente o crescimento do consumo, com a suspensção ou reversão dos planos estaduais de reabertura do setor de restaurantes, cinemas e outras atividades.

Os esforços dos estados para reabrir suas economias em maio e junho resultaram no relaxamento das medidas de confinamento que vinham sufocando o varejo e as visitas a restaurantes, e permitiram que milhões de pessoas voltassem a trabalhar.

A despeito dos avanços, os gastos no varejo continuam abaixo do nível vigente antes da pandemia, e totalizaram US$ 485,5 bilhões em maio, ante US$ 527,3 bilhões em fevereiro.

John Washburn, dono de três lojas de móveis na região central da Flórida que também vendem comida e bebidas, disse que os negócios andavam lentos desde que ele retomou os serviços de alimentação em duas de suas três unidades, na semana passada, depois de fechá-las temporariamente no final de junho, quando o número de casos da Covid-19 voltou a subir na Flórida.

Ele afirmou que as vendas de móveis estavam compensando o decínio no faturamento geral de seu negócio, cujo conceito é o de que os visitantes podem experimentar os móveis das lojas enquanto saboreiam vinhos e petiscos. Sem a receita das vendas de mobília, disse Washburn, certamente seria muito mais difícil manter [os restaurantes] vivos.

Ele acrescentou que planejar o futuro vinha sendo difícil devido à incerteza quanto aos riscos do vírus e sobre as regras operacionais do estado, mas acrescentou que temos capacidade de agir rapidamente. Se for preciso fechar, será preciso fechado.

Mark Cohen, diretor de estudos de varejo na Escola de Pós-Graduação em Gestão da Universidade Columbia, disse que os fluxos e contrafluxos da pandemia continuam a pesar muito sobre o varejo.

Além da crise de saúde, que obviamente causa completa instabilidade, temos o catalisador econômico que se tornarão cada vez mais evidente quando o seguro-desemprego expirar, ele disse, se referindo aos pagamentos adicionais de US$ 600 por semana que vêm sendo feitos aos desempregados, e que devem expirar em 31 de julho.

Os gastos dos consumidores são o principal propulsor da economia dos Estados Unidos, respondendo por mais de dois terços da produção total do país, e as vendas do varejo respondem por um quarto dos gastos totais dos consumidores.

Fonte: Mercado & Consumo | 20 de julho de 2020