Varejo já está desacelerando perdas da pandemia, diz Caffarelli, da Cielo

Todo mundo vai ter perdas em 2020, afirmou o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, na Live do Valor desta segunda-feira. Conforme o executivo, a boa notícia é que a credenciadora – que tem como sócios controladores o Banco do Brasil e o Bradesco – já percebe uma desaceleração da queda de operações.

Segundo Caffarelli, na comparação com fevereiro, o período imediatamente antes do início do isolamento social, o mês de março registrou uma queda de faturamento do varejo de 21%. O ápice ocorreu em abril, porque apenas uma parte de março sofreu impacto das medidas de contenção da pandemia. O primeiro mês do segundo trimestre registrou uma queda de 37% ante fevereiro. Mas, a partir de maio, esse recuo passou a diminuir.

Maio teve queda de 31% na mesma base de comparação. Em junho, disse o presidente da Cielo, “tudo indica que [o recuo] deve ficar em 22%”. De acordo com Caffarelli, “perda em 2020 teremos com toda certeza, mas já existe uma desaceleração dessa perda”.

O executivo citou ainda que o impacto foi mais concentrado em serviços. “O segmento de serviços foi o que mais pegou. Devemos fechar junho com queda de 64%. É um segmento que sentiu mais, com turismo, aéreas, bares e restaurantes.”

Em termos de faturamento, o segmento de turismo teve queda de 58% em março, de 90% em abril, de 88% em maio e deve fechar junho com diminuição de 83%.

Alimentação em bares e restaurantes foi outra atividade muito atingida, embora em menor grau quando comparada ao turismo e viagens. A queda no segmento de alimentação fora de casa atingiu 37% em março, saltou para 74% em abril, manteve-se em 70% em maio e desacelerou para 65% em junho, segundo dados da Cielo.

O grupo de bens duráveis chegou a cair 56% em abril, mas neste mês recuou para 17%. O de bens não duráveis, que reúne produtos de primeira necessidade, como alimentos e remédios, apresentou elevação. São operações realizadas sobretudo por supermercados, farmácias, pet shops e outros estabelecimentos que foram considerados essenciais no período de isolamento.

Conforme Caffarelli, as transações em supermercados cresceram 17% em março, 18% em abril, 12% em maio e vão fechar junho com alta de 17%. As farmácias tiveram alta de 8% em março, mas amargaram recuos de 12% em abril, de 8% em maio e 4% em junho.

O presidente da Cielo citou que “90% das empresas estão transacionando quando se olha o Brasil como um todo”. Para Caffarelli, “isso não significa que estão de portas abertas e, obviamente, estão fazendo muito menos do que estavam fazendo em fevereiro”.

A perspectiva vai melhorar no segundo semestre, embora ainda seja de queda na comparação com o período antes da pandemia. “Na medida que estamos mostrando um processo de desaceleração da queda, a perspectiva é melhor para o terceiro e quarto trimestre”, disse Caffarelli.

Fonte: Valor Econômico | 29 de junho de 2020