Varejo de moda abre portas para parcerias com jogos eletrônicos

Foto: Consumidor Moderno

Grifes que levam suas roupas para dentro de jogos de videogame, e jogos que levam seus personagens para as vitrines das grifes. Esse cross entre varejo e jogos eletrônicos tem acontecido com uma frequência cada vez maior.

De acordo com uma pesquisa da Statista, as pessoas têm passado 45% mais tempo jogando videogame nos Estados Unidos desde que a pandemia do novo coronavírus começou ― uma tendência que se reflete em todo o mundo.

Concomitantemente, com mais pessoas isoladas em casa, o setor de moda vive um período de queda. Segundo a BBC, houve redução de 34% no rendimento do varejo de moda no início do segundo trimestre de 2020.

Mas, apesar da fase oportuna, essa abertura de portas do varejo para parcerias com marcas de entretenimento já havia começado antes mesmo da crise atual. No final de 2019 a grife de luxo Louis Vuitton lançou uma coleção em colaboração com o jogo mundialmente famoso League of Legends, da Riot Games. A linha inclui tanto roupas físicas quanto vestimentas digitais para os personagens do jogo ― chamadas de skins ―, gerando um cruzamento entre o virtual e o analógico.

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Games x vestuário: tendência se expande com o isolamento social

Mas não é só lá fora que a indústria desenvolve parcerias dessa natureza. No Brasil, a Riachuelo trabalha desde 2016 com o licenciamento de marcas ligadas ao mundo dos games. Até o momento 15 jogos já foram licenciados pela empresa, entre eles League of Legends, Street Fighter, Zelda, Super Mario, Fortnite, Rainbow Six e outros.

Em dezembro do ano passado, as primeiras peças em parceria com o League of Legends foram lançadas na CCXP, se tornando um sucesso de vendas. Em abril deste ano, uma nova coleção de camisetas foi divulgada para os amantes do game.

“A cada coleção entendemos melhor nossos clientes e os fãs, o que eles mais gostam, quais produtos têm mais sinergia com a marca, sempre respeitando seu DNA e buscando cada vez mais o storytelling nos produtos”, comenta Julia Medeiros, Gerente de Licenciamentos da Riachuelo à Consumidor Moderno.

Priscila Queiroz, Head de Produtos e Publishing da Riot Games no Brasil, conta que a parceria com a Riachuelo foi, desde o começo, um passo bastante estratégico. “Sabíamos da força que a Riachuelo tem no mercado brasileiro dem moda geek, então desde o começo sabíamos que queríamos uma parceria com eles”. A partir disso, as duas empresas se uniram no desenvolvimento dos produtos, desde as pesquisas de mercado até o design final de criação. Segundo Priscila, a recepção dos produtos pelo público não podia ter sido melhor.

Menos blusinhas, mais moletons

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Imagem (Riachuelo/Divulgação)

Com o isolamento social, as pessoas estão consumindo muito mais videogames, séries e filmes do que nunca. De modo inverso, estão investindo menos em moda, já que não podem sair de casa.

Julia Medeiros, da Riachuelo, afirma que houve, sim, uma mudança de comportamento do consumidor conta do período de isolamento social. Mas não necessariamente deixaram de comprar roupas por não saírem de casa ― e sim deram preferência para roupas mais casuais. “As pessoas estão gastando mais tempo jogando ou assistindo séries e percebemos um aumento nas vendas de peças mais confortáveis para ficar em casa, principalmente ligadas a esse universo, desde camisetas e moletons, assim como pijamas e itens de moda casa.”

“Os produtos licenciados têm vendido bem, além das nossas expectativas. Acreditamos que este é um momento atípico, mas que tiraremos boas oportunidades e aprendizados dele.”

Julia Medeiros, Gerente de Licenciamentos da Riachuelo

Já a Head de Publishing da Riot Games afirma que já estava nos planos da empresa, antes mesmo da pandemia, expandir a parceria com a Riachuelo para o desenvolvimento de produtos de linha casa para League of Legends. 

“Por mim, colocaria League of Legends em tudo quanto é lugar, porque existe essa demanda do jogador. Os vemos pedindo camisetas, canecas, almofadas etc, para mostrar a sua paixão de diversas maneiras.”

A pandemia de coronavírus, segundo Priscila, apenas atrasou o tempo de produção dessas novas linhas, mas eles seguem em comunicação com a Riachuelo para dar seguimento a esse projeto.

“Merchandising em produtos de jogos é uma maneira de o jogador expressar sua paixão, expressar aquilo que faz parte da sua vida. A oportunidade de trabalhar com parceiros no Brasil, para fazer produtos que são pedidos pelos jogadores, é muito recompensador. Com certeza não vamos parar por aí.”

Priscila Queiroz, Head de Produtos e Publishing da Riot Games no Brasil

Fonte: Consumidor Moderno | 28 de julho de 2020