Varejo abraça a produção de roupas anti-covid

Foto: Mercado & Consumo

As roupas com tecido anticoronavírus já são uma realidade. Grandes marcas compraram a ideia, e a presença de produtos no varejo com essa inovação deve ser ampliada.

No Brasil, essa tecnologia foi desenvolvida e é comercializada pela empresa de produtos químicos Nanox, comandada por ex-alunos da Universidade Federal de São Carlos, no interior paulista.

O composto químico que anula os efeitos do vírus já é vendido para pelo menos dez confecções e fábricas de tecidos em São Paulo.

A empresa prevê dobrar o número de indústrias parceiras e já negocia com pelo menos duas grandes marcas do varejo têxtil de massa.

O diretor de tecnologia da Nanox, Gustavo Simões, explicou como funciona o produto:

“É um líquido à base de água que é misturado em um banho para o tecido. Depois, vai para uma estufa, quando o composto adere à base do tecido.”

A produção brasileira do composto antiviral deixou o acesso à tecnologia mais fácil e barato. A expectativa é de que as peças venham com preço acessível, apenas 5% mais caras do que as comuns.

O mercado espera, entre o fim de julho e agosto, a ampliação da oferta de roupas anticoronavírus no varejo.

A presença desta tecnologia pode se igualar à oferta hoje comum de roupas de ginástica anti odor.

O diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil, Edmundo Lima, espera que as novas coleções de grande marcas já venham com essa opção de tecnologia:

“Na realidade a reação é muito rápida. Esses produtos começam naturalmente a chegar ao varejo e mais empresas vão, paulatinamente, criando linhas de produtos antivirais. Máscaras, camisetas, temos a informação de que já está sendo usada a tecnologia em jeans.”

Teve empresa que saiu na frente e já está vendendo peças com a tecnologia bloqueadora de Covid-19.

A Malwee criou uma linha de camisetas e máscaras para adultos e crianças com a proteção e as peças estão disponíveis no comércio online. A tecnologia foi comprada de uma indústria da Suíça, que desenvolvia o tecido antiviral antes do Brasil.

O gerente industrial da empresa, Luiz Thiago Freitas, afirmou que a escolha foi aplicar o antiviral primeiro nas peças de roupas mais populares da marca, mas destacou que o uso da tecnologia vai ser ampliado para outras linhas.

“Obrigatoriamente, é necessário eu mandar as peças para o laboratório para ser feito o laudo, comprovando a aplicação. Quando eu mudo a estrutura da malha, ou do tecido, eu tenho que atestar outra vez, para ter a garantia da performance”, disse.

O tecido à prova de coronavírus é formado por nanopartículas de prata e sílica e eliminam em até dois minutos o SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19. A durabilidade é de até 30 lavagens.

O composto tem um efeito parecido com o da água oxigenada. A substância já era capaz de eliminar fungos e bactérias, quando os pesquisadores da UFSCar e da USP testaram o produto em tecidos com Covid-19 e chegaram à conclusão que ele elimina 99,9% do vírus.

Fonte: Mercado & Consumo | 08 de julho de 2020