Trabalhadores do setor de bares e restaurantes relatam o drama que estão vivendo

Foto: CBN Recife

Há mais de cem dias sem funcionar, o setor de bares e restaurantes em Pernambuco continua sem uma data definida para que possa retomar de forma gradual suas atividades. “Havia uma forte expectativa de que esta data fosse anunciada hoje (terça-feira, 07) pelo governo de Paulo Câmara, mas fomos frustrados mais uma vez”, diz o presidente da Abrasel-PE, André Araújo.

A Abrasel é Associação Nacional dos Bares e Restaurantes, entidade que vem falando pelos 17.300 estabelecimentos de Pernambuco, embora nem todos sejam  filiados a ela. E André Araújo é a voz que tem ido à imprensa levar as angústias e anseios setor. Ele não representa apenas a voz dos empresários, mas dos 240 mil trabalhadores, que igualmente aguardam ansiosos pela retomada das atividades.

Temendo perder seus postos de trabalho, eles se somam a uma massa muito maior quando se consideram seus familiares: 1,2 milhão de pessoas dependem indiretamente dos empregos do setor. Isto sem contar com os que vivem indiretamente do segmento.

É o caso do DJ Sapo. Assíduo há décadas na cena de bares e restaurantes de Pernambuco, ele viu a pandemia da Covid-19, ainda no dia 11 de março, acabar com quatro contratos que tinha com bares para tocar seu som para o público. “Também trabalho com produção, sonorização e iluminação para eventos e tudo foi cancelado de imediato. Estamos esse tempo todo sem faturar. A situação é muito difícil e infelizmente não vejo com bons olhos o futuro a curto prazo. Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar”, lamenta o DJ.

Na mesma situação, o idealizador do projeto Radiola no Mercado, Paulinho Radiola, que levou para o mercado público, mais precisamente para o Beberibe Bar, o que há de melhor da discotecagem com vinil e digital, conta como tem se virado com a suspensão do seu ganha pão. “Sou publicitário, jornalista e roteirista e criei o projeto da Radiola em meio à crise de 2016. Nesta crise atual, inovei também: criei uma rádio em formato podcast nos moldes da playlist do radiola do mercado e, como fazia no evento presencial, comecei a passar o chapéu para o público, que contribui com o que pode. Criei o chapéu virtual. E assim estou conseguindo sobreviver”, diz Paulinho.

O impacto do fechamento do setor por tanto tempo é tão sério, que só na Associação dos Garçons da cidade de Frei Miguelinho, 60% dos associados estão sem trabalhar. “Estamos aguardando o governo autorizar a reabertura. Enquanto isso, a gente se vira como pode. Eu e minha esposa criamos pratos  quentes e lanches para delivery. É uma forma de ter um pouco de renda enquanto as coisas não reabrem”, afirma o garçom e presidente da associação, Ronas Gomes.

Segundo o presidente Abrasel-PE, embora todo o plano com os protocolos de retomada tenha sido entregue pela entidade ao governo do Estado, o executivo estadual nunca incluiu a entidade no comitê técnico que trata sobre a Covid-19 no Estado e continua sem definir uma data de reabertura.

“Estamos com o protocolo pronto e não tem cabimento o governo fazer qualquer tipo de modificação nas diretrizes formuladas com base nas orientações da própria Organização Mundial de Saúde (OMS)”, questiona Araújo, referindo-se à decisão do estado de ampliar o espaçamento entre as mesas além do determinado pela OMS. Segundo ele, isso vai inviabilizar os pequenos negócios. O modelo de espaçamento previsto no plano original, limitava a um metro a distância entre as mesas, mas o governo do estado ampliou para 1,5 metro.

“Estão querendo enfeitar o que já é definido como seguro pela própria OMS? Desta forma, a depender do tamanho do estabelecimento, se a permissão de ocupação permitida for de 40% do espaço, não vai chegar nem a 1/3 do ambiente ocupado. Sendo assim, não compensa o custo de reabrir”, revela Araújo.

Para o empresário Werlley Jarocki, da Plim Pizzas e Massas, que neste ano completa, junto com o Shopping Recife, 40 anos de funcionamento, a demora em retomar as atividades não tem justificativa. Ele ja demitiu 10 dos 65 funcionários e pode ter que eliminar todos os empregos se a situação não se reverter em breve.

“O setor de alimentação já tem incorporado em sua essência todo um protocolo de saúde alimentar. O que estamos fazendo é aprimorá-lo. Não há sentido em permitir que um shopping funcione e a alimentação seja vetada para consumo no local. Estamos esperando essa reabertura desde o dia 1º. Investimos quase R$ 20 mil na readequação da loja e a data inicial era dia 6 e se não for na próxima segunda, não teremos mais como sustentar a situação. Estamos apenas nos endividando e só pedimos para que possamos trabalhar, nada mais”, conclui o empresário. 

Fonte: CBN Recife