Tecnologia, dinamismo e ecossistemas de negócios formam a nova China

Foto: Terassan Fotografia | Mercado & Consumo

Gigantes que englobam uma enorme quantidade de produtos e serviços, atendendo o consumidor em diversas áreas, desde comunicação até saúde. Este é o conceito de ecossistemas de negócios, um modelo que vem da China, com exemplos como Alibaba, Tencent e Xiaomi.

O “Ecossistema de negócios na China, varejo, tendências e insights” foi o tema da palestra realizada por Mark Greeven, professor da IMD e autor do livro ‘Business Ecosystems in China: Alibaba and Competing Baidu, Tencent, Xiaomi and LeEco’, durante o LATAM Retail Show, o mais completo evento de varejo e consumo da América Latina, que teve início nesta terça-feira, (27).

Greeven começou sua apresentação mostrando os antigos estereótipos da China: comunismo com Mao Tsé-Tung, uma população enorme e produtos falsificados. Para mostrar que o país mudou, ele trouxe exemplos cotidianos de pessoas usando tecnologia, como uma garotinha comprando balas e pagando com o smartwatch. Situações como esta são normais e rotineiras na nova China.

O professor falou sobre a integração do varejo físico e online. “Os supermercados não mudaram muito desde que eu nasci. Exceto nos últimos dois anos”. Ele trouxe o exemplo dos supermercados na China, em que o consumidor deseja comprar um caranguejo vivo e pode recebê-lo em 30 minutos, bastando para isso, fazer o pedido pelo smartphone. Se o cliente desejar comer na hora no mercado ele também pode. “É incrível conseguir manter uma operação dessas. Mas a integração entre o físico e o digital já é uma realidade na China há algum tempo. Isso foi aceito pelos consumidores e pelo mercado”, explicou.

Os ecossistemas permitem que esta integração aconteça e vários produtos e serviços sejam oferecidos de forma eficiente para o consumidor. Sendo assim, as gigantes que seguem este modelo vem crescendo de forma espantosa. Exemplos disso são o Alibaba, que deve se tornar uma das maiores economias do mundo nos próximos anos e a Xiaomi, que incubou quatro unicórnios (startups que atingem o valor de US$ 1 bilhão).

“A melhor palavra para definir a China é turbulência. É um país caracterizado por mudanças o tempo todo. O país tem 350 milhões de millennials, que querem coisas muito diferentes de seus pais”, resumiu Greeven. Para ele, outro país que passa por turbulências é o Brasil, com a crise econômica, mudanças na sociedade e o uso crescente de tecnologias. “O país também passa por turbulências, embora de forma menos dramática que a China. Não há nenhum outro lugar tão dinâmico e incerto”, disse o professor.

Para Greeven, o melhor exemplo de ecossistema de negócio sustentável é o Alibaba. “Não tem como falar de China sem falar do Alibaba e da Tencent”, afirmou. No inicio, a empresa focava nos negócios B2B e B2C. “Eles já eram muito grandes, mas não se acomodaram. Viram as mudanças que estavam ocorrendo a sua volta e investiram em diferentes setores. Formaram parcerias, aquisições, mas estas companhias não entraram no negócio principal. Elas continuaram independentes. O núcleo central continua muito sólido, mas separado”, explicou Greeven.

O Alipay é um exemplo especial em meio ao ecossistema Alibaba. Ele oferece pagamentos, além da possibilidade de comprar inúmeros produtos e serviços. Passou a fazer parte do dia a dia do consumidor.

O professor comparou este aplicativo ao We Chat. Embora um seja voltado para pagamentos e o outro à troca de mensagens, eles oferecem serviços parecidos. Apesar da semelhança, conseguem coexistir “A ideia que competição é um jogo de soma zero nem sempre é verdadeira. Temos casos em que essa fronteira é permeável”, analisou.

Ele também esclareceu que os ecossistemas têm que ter um núcleo principal. “No caso do Alibaba é o e-commerce e no da Tencent é comunicação e gamificação. Não é que o ecossistema não tem um negocio central. É claro que tem!”, esclareceu.

Fonte: Mercado & Consumo | 27 de agosto de 2019