Shoppings testam novos modelos após saída de megalojas

Iguatemi vai substituir marcas ou reduzir determinadas lojas, que serão “fatiadas” entre mais inquilinos. Nomes como as livrarias Saraiva e Cultura (na foto) ocupavam grandes áreas

Após sofrer com o aumento dos espaços vagos em seus shopping centers, a Iguatemi vai substituir marcas ou reduzir determinadas lojas, que serão “fatiadas” entre mais inquilinos.

No primeiro trimestre, a Iguatemi tinha 93,7% da área bruta locável (ABL) de seus shoppings ocupados, 1 ponto porcentual a menos do que no mesmo período de 2018.

“Tivemos a saída de operações que ocupavam uma área grande”, diz Cristina Betts, vice-presidente de finanças e diretora de relações com investidores, referindo-se especialmente a casos como Cultura e Saraiva.

Segundo a executiva, a era das “megalivrarias” está perto do fim. Agora, o segmento pode ver o espaço reduzido a um terço do tamanho original ou até sumir de vez.

ENTREVISTA

“Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, cantarolou o presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Carlos Jereissati Filho.

Ele citava o refrão da música Baianidade Nagô, de Daniela Mercury, para ilustrar a queda do otimismo com a economia brasileira desde a eleição de Jair Bolsonaro.

De acordo com o executivo, esse otimismo “desidratou” e a perspectiva de crescimento mais robusto para a economia ficou para 2020, já que as discussões sobre as reformas estruturais devem se estender até o fim do ano, mantendo um clima de incerteza sobre os rumos do País.

“É mais um ano que passa sem grandes transformações”.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Qual a avaliação sobre o momento atual da economia?

A situação me lembra aquela música da Daniela Mercury que diz: ‘Eu queria que essa fantasia fosse eterna’… O Brasil evoluiu muito nos últimos 30 anos. Isso é inegável. Em relação a este ano, existia a expectativa de que o governo entrasse em campo jogando com muito mais agilidade. Acabou não acontecendo. Teve bate cabeça no início. É o governo de alguém que nunca havia estado no Executivo, mas que foi encontrando seus caminhos.

Como fica o País?

O brasileiro já percebeu o bem que a reforma da Previdência pode fazer ao País ao evitar privilégios e equilibrar as contas públicas. Essa discussão vai até outubro ou novembro. Enquanto isso, as pessoas ficam em compasso de espera, com pouco investimento. É mais um ano que se passa sem grandes transformações. Agora, todo mundo vai ficar olhando para 2020, acreditando que será um ano mais forte.

O governo será capaz de aprovar as reformas?

Não vejo como apostar contra essa reforma se alguém quiser o País minimamente estável. Precisa ser feita não apenas no sistema de Previdência federal, mas também nos Estados.

Quando a Iguatemi e outras empresas voltarão a ter o ímpeto para desenvolver um volume maior de novos shoppings?

Não se pode fazer investimentos com retorno no longo prazo sem a perspectiva de estabilidade. Na medida em que a reforma da Previdência passe, haja maior equilíbrio das contas e a economia volte a mostrar sinais de crescimento, não tenho dúvida de que muita gente vai começar a tirar da gaveta planos de investimentos em novos shoppings. Talvez isso ocorra em 2021. Hoje temos o projeto da Cruz Vermelha (shopping de São Paulo, sem data de lançamento) e outros em estudo que só não foram anunciados porque não tivemos o momento correto para isso.

Quais as principais vias de crescimento para a Iguatemi?

Podemos fazer aquisição de participações adicionais em nossos empreendimentos e ampliações dos shoppings em funcionamento. A ampliação é opção menos arriscada, porque já conhecemos o volume de vendas do shopping, o tráfego de visitantes, o aluguel dos lojistas etc. Temos propriedades fortes e estamos buscando reforçar cada uma delas com iniciativas para melhorar a experiência dos visitantes.

O site será capaz de ampliar as receitas da Iguatemi?

Sim. O lojista vai pagar um porcentual das vendas do site. Isso cobrirá o que oferecemos ao lojista, desde a presença na plataforma até a logística.

O Iguatemi estuda fusões?

Muitas companhias não se prepararam para gerar possibilidades de crescimento próprio além dos greenfield (novos shoppings). Nós, por outro lado, fomos criando espaço para crescer por muitas vias. Fusão não é algo no radar.

Fonte: Diário do Comércio | 06 de junho de 2019.