Shopping centers crescem 7,2% no terceiro trimestre

Foto: Mercado & Consumo

De acordo com o levantamento da Abrasce, o terceiro trimestre deste ano foi o melhor dos últimos anos para os shopping centers. O setor teve crescimento acumulado de 7,2% no período, acima do desempenho do varejo de rua, que cresceu 6%. Na comparação com o terceiro trimestre 2018, o balanço deste ano obteve um aumento maior, já que o crescimento dos shoppings no ano passado foi de 5,6%.

O bom resultado no trimestre foi alavancado pelo crescimento exponencial apresentado em julho e pelas datas comemorativas. O Dia dos Pais apresentou 51% de crescimento e a Semana do Brasil colaborou com as vendas em setembro, que cresceram 16,8% em relação ao mesmo mês de 2018. É importante observar que setembro era um período que não possuía datas significativas para o varejo até o ano passado.

O ticket médio das compras realizadas nos shopping centers também cresceu, chegando a R$ 96,34, valor acima dos R$ 95,49 do segundo trimestre e dos R$ 91,87 do primeiro trimestre. O valor médio das compras nos shoppings também fica muito acima das lojas de rua, onde o gasto médio ficou em R$ 69,28 no terceiro trimestre deste ano.

Os setores que mais alavancaram as vendas no período foram Eletreletrônicos, Telefonia e Acessórios, seguidos por Perfumaria. Para Gabriela Oliveira, gerente de planejamento estratego da Abrasce, a previsão é que os bons resultados se mantenham no final de 2019 e em 2020. “O setor teve um bom desenvolvimento, principalmente em comparação ao PIB, que deve crescer menos de 1%. A inflação baixa, a confiança do consumidor e a recuperação, ainda que pequena, do emprego, favorecem o consumo”, disse a gerente.

São esperadas inaugurações de novos empreendimentos até o final do ano, fazendo com que o setor atinja 78 mil m2 de ABL no Brasil. “Tivemos um crescimento de 9,9% nas vendas no Dia das Crianças. Temos Black Friday e Natal pela frente. Assim, esperamos um resultado positivo para os próximos meses”, afirmou Gabriela.

Seguindo as tendências do setor, a administradora de shopping centers Multiplan também apresentou bons resultados no período. No terceiro trimestre, as vendas dos lojistas dos shopping centers da empresa cresceram 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, chegando a R$3,8 bilhões. O crescimento foi impulsionado pelo aumento das vendas em 18 dos 19 empreendimentos do portfólio da Multiplan.

O ParkShoppingCanoas apresentou o maior percentual de crescimento, 22,9%, beneficiado pelo seu processo de maturação, bem como pelo desempenho de operações no segmento de serviços. O JundiaíShopping também foi beneficiado pelas recentes aberturas de lojas e fortes aumentos nas operações voltadas para alimentação, com aumento das vendas de 12,5%.

Entre os ativos maduros, vale destacar o BarraShopping, com crescimento de vendas de 9,4% no terceiro trimestre, auxiliado pela abertura de uma área remodelada com quatro novas operações ligadas a um novo parque ao ar livre.

Para Armando d’Almeida Neto, diretor vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Multiplan, “os resultados são extremamente positivos, sólidos e crescentes. Apresentamos ganhos de eficiência nos custos condominiais, que nos oferecem a possibilidade de aumentar a receita de locação nos próximos anos. Continuamos olhando e apostando em novas oportunidades, além de termos boas expectativas para o próximo trimestre, com base no leve aquecimento econômico e no forte fluxo de clientes esperado em nossos empreendimentos neste fim de ano”, completou o executivo.

O Resultado Operacional Líquido (NOI), indicador que representa a soma da receita das propriedades descontadas as despesas necessárias para operá-las, totalizou R$ 297,5 milhões no terceiro trimestre, crescendo 7,9% sobre o mesmo período do ano anterior, refletindo os sólidos aumentos registrados nas receitas de locação e estacionamento.

No terceiro trimestre deste ano, o EBITDA atingiu R$ 235,1 milhões, crescendo 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, beneficiado pelo desempenho operacional dos ativos, sendo parcialmente compensado pelo impacto contábil na conta de remuneração baseada em ações, que aumenta a linha de despesas quando a ação se valoriza. Excluindo esse efeito, em ambos os períodos, o EBITDA teria crescido 7,4%, atingindo R$245,7 milhões.

O lucro líquido da Multiplan apresentou um aumento de 4,4% no terceiro trimestre e totalizou R$121,5 milhões, principalmente devido ao aumento de 8% da receita líquida. Se desconsiderada essa linha, o lucro líquido teria crescido 12% e alcançado R$132,2 milhões, com margem de 40,2%.

O aluguel nas mesmas lojas (SSR) alcançou um aumento de 10,8%, o maior crescimento em seis anos, desde o terceiro trimestre de 2013. A receita de locação alcançou R$267,0 milhões no período, um crescimento de 8,9% sobre o mesmo trimestre do ano anterior, principalmente por conta da recente aquisição de 20% do BH Shopping, que levou ao aumento de 35,1% em seu aluguel no trimestre; do efeito do ajuste do IGP-DI de 7,5%; e da adição de 20,1% na receita de merchandising. Mais da metade dos shopping centers da Multiplan apresentaram crescimento da receita de locação superior a 10%.

Nos primeiros nove meses de 2019, a Multiplan já investiu 87,6% a mais do que em todo ano de 2018, totalizando R$570,2 milhões de investimento. Entre eles está a construção do ParkJacarepaguá, a aquisição de 20% do BH Shopping, e o acordo de investimento com a Delivery Center. A empresa também tem apostado nas revitalizações dos shoppings BHShopping, BarraShopping e BarraShoppingSul, e no desenvolvimento de projeto do ParkGlobal.

A empresa incluiu a modalidade Clique & Retire no aplicativo Multi. O objetivo é tornar a experiência dos clientes dos Shoppings Multiplan mais prazerosa e, ao mesmo tempo, reforçar a estratégia omnichannel. Com o projeto, que tem início no BarraShopping, no Rio de Janeiro, os consumidores podem realizar suas compras no aplicativo e retirar os seus pedidos em um locker instalado no shopping center. Inicialmente, o Clique&Retire estará disponível para as categorias de produtos não perecíveis e com dimensões pré-determinadas.

Fonte: Mercado & Consumo | 01 de novembro de 2019