Pagamentos passarão a ser feitos por biometria em 10 anos, mostra estudo

A biometria será o método dominante de autenticação de pagamento de clientes na próxima década. Esta é uma das conclusões de um estudo feito pela Economist Intelligence Unit para a TransUnion e que destaca quais tecnologias emergentes podem apresentar desafios e aumentar a prevenção a fraudes, inclusão econômica e privacidade do consumidor.

Aproximadamente 90% dos executivos brasileiros e 85% dos executivos globais que fizeram parte do estudo afirmam que a biometria provavelmente será usada para autenticar a grande maioria dos pagamentos nos próximos dez anos. A biometria é definida como impressão digital, reconhecimento facial ou métodos de autenticação de voz.

A pesquisa mostra, ainda, que segurança e detecção a fraudes aprimoradas são o maior benefício de usar Inteligência Artificial (resposta dada por 44% dos entrevistados brasileiros e 43% dos globais). O uso de IA foi a primeira opção, com a experiência do cliente sendo a segunda resposta mais comumente selecionada globalmente, com 29% em todo o mundo e 24% no Brasil.

Sistema Nacional de Identidade Digital

Também segundo a pesquisa, um sistema nacional de Identidade Digital ajudará a prevenir fraudes em transações de consumidores. Essa é a percepção da maioria dos executivos – 85% no Brasil e 79% no mundo. As iniciativas nacionais de Identidade Digital são programas administrados pelo governo para fornecer uma Identidade Digital aos residentes, muitas vezes usando dados biométricos para autenticar a identidade.

“Garantir a confiança do consumidor começa com a prevenção de fraudes. Nossa pesquisa mostrou que Biometria, IA e Identidade Digital não são apenas uma moda passageira para a prevenção a fraudes em transações de consumidores. Elas são essenciais para o comércio confiável em um futuro próximo”, disse Juarez Zortea, presidente da TransUnion Brasil.

O relatório “Novas dimensões de mudança: construindo confiança em um cenário de consumo digital” incluiu respostas de 150 executivos do Brasil e 1.460 executivos do Canadá, Chile, China, Colômbia, República Dominicana, Hong Kong, Índia, Filipinas, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

A pesquisa descobriu como tecnologias de Inteligência Artificial (IA), Identidade Digital e Superaplicativos podem ajudar a superar obstáculos e possivelmente criar novos desafios para construir confiança digital. Os superaplicativos são portais digitais únicos, acessados predominantemente por meio de smartphones, por meio dos quais os clientes acessam e pagam por produtos e serviços de terceiros.

Transações tranquilas são essenciais

O estudo descobriu que a chave para as empresas fecharem ou não depende do fornecimento de transações digitais corretas aos consumidores. Quase 90% dos executivos brasileiros e 85% dos executivos globais entrevistados como parte do estudo disseram acreditar que transações tranquilas são “essenciais para a sobrevivência dos negócios”, e não apenas uma vantagem competitiva.

“A Covid-19 acelerou drasticamente a transformação digital, com 66% dos entrevistados brasileiros dizendo que sua organização mudou seu processo de transação digital devido à pandemia”, disse Shai Cohen, vice-presidente sênior de Soluções de Prevenção a Fraude Global da TransUnion. “Mas todo esse progresso digital será eliminado se não pudermos remover essas barreiras para construir uma confiança digital bilateral. Por exemplo, quase dois terços das empresas brasileiras que mudaram seu processo de transação digital como resultado da pandemia enfrentaram falhas, o que poderia levar a mais casos de fraude.”

Sete em cada dez executivos em todo o mundo e no Brasil acreditam que a Identidade Digital dá aos grupos de baixa renda acesso a serviços ao consumidor dos quais teriam sido excluídos. Dos setores pesquisados em todo o mundo, os entrevistados sobre empréstimos ao consumidor e telecomunicações acham que as Identidades Digitais dão aos grupos de baixa renda acesso a serviços que de outra forma não teriam. Ambos os setores abriram caminho ao longo da última década para alcançar a comunidade de clientes carentes financeiramente, que se manifestam em inovações como micro finanças e pagamento móvel.

Compartilhamento de dados com empresas

Cerca de 81% dos executivos brasileiros e 73% dos globais acreditam que os consumidores se sentem confortáveis em compartilhar dados pessoais com empresas privadas. Quase 71% dos executivos em todo o mundo e 65% dos brasileiros acreditam que os consumidores se sentem confortáveis em compartilhar dados pessoais com governos.

Executivos brasileiros, chineses e da República Dominicana têm visões muito diferentes sobre os consumidores estarem ou não dispostos a compartilhar dados com empresas privadas e órgãos governamentais (mais de 10% de diferença em cada país entre compartilhamento com governos e empresas). Os entrevistados chineses acreditam que os consumidores se sentem muito mais confortáveis em compartilhar dados pessoais com órgãos governamentais do que com empresas. Os executivos brasileiros e da República Dominicana têm a opinião oposta.

“Inovações tecnológicas, como IA, Biometria e Identidade Digital, combinadas com métodos comprovados de prevenção a fraude, a exemplo de inteligência de dispositivo, podem fornecer uma maneira mais conveniente e inclusiva para os consumidores fazerem suas transações e ainda protegem a segurança e a privacidade”, concluiu Zortea.

Fonte: Mercado & Consumo | 02 de novembro de 2020.