O impulso para criar uma nova geração de Centros Comerciais Inteligentes

A COVID-19 nos empurrou abruptamente para um território totalmente desconhecido. Apesar dos pesares, estamos trilhando um novo caminho, com ar de “déjà-vu”, numa superfície onde caminhamos para a construção de uma geração de Centros Comerciais Inteligentes.

Está evidente que o cenário é nebuloso e explorar território desconhecido, sem entender bem ainda como e para onde esta estrada levará nossos negócios, acentua o sentimento de incerteza. Nessas horas ajuda buscar inspiração em empresas como Amazon, Apple, Zoom, Microsoft e Netflix que estão prosperando enquanto centenas de outras lutam pela sobrevivência.

Obviamente, essas cinco empresas fornecem serviços que são vitais agora, mas há muito mais do que isso. O maior fator subjacente em seu sucesso não é o que eles vendem ou como alavancam a nuvem. O que as diferencia é que a inteligência gerada por elas é o que sustenta tudo o que fazem. E é neste ponto que eu volto para a conexão com o setor de Shopping Centers, expandido aos diversos formatos de centros comerciais emergentes. Assim também será para as companhias que querem levar seus ativos ao patamar de uma nova Geração de Centros Comerciais.

Em vez de ficarem paralisadas em uma crise, empresas inteligentes, quase que instantaneamente, se expandem, reestruturam suas linhas de abastecimento e entregam aos seus clientes o que eles desejam, agora e no futuro.

A maioria das organizações começa sua experiência de inteligência artificial (IA) com ganhos rápidos para construir a confiança dos executivos. A primeira etapa é automatizar processos específicos em silos, de uma forma muito direcionada, que aproveite a IA pronta para uso. Mas esse foco estreito e de curto prazo pode levar a companhia a perder benefícios muito maiores que podem ser explorados por uma empresa inteligente.

Como os Shopping Centers podem se tornar inteligentes?

Mesmo as empresas que estão apenas começando sua jornada e se sentem irremediavelmente atrasadas, podem avançar mais rápido e melhor aplicando estratégias corretas, com a real visão de onde este caminho desconhecido pode levar. Isso significa voltar ao básico, revisar estratégias e assim chegar ao melhor uso da Inteligência Artificial (IA), tornando o negócio inteligente e sobretudo mais rentável. É por isso que hoje – já considerando a aceleração da adoção da tecnologia em meio à pandemia – devemos tornar a IA parte crítica no futuro dos Shoppings Centers.

Muitas empresas líderes pensam muito sobre seus objetivos e o que vão medir para garantir que possam alcançá-los. Outras podem seguir esse modelo, concebendo-o como um sistema coerente, em vez de um conjunto de partes individuais. Cada jornada de transformação é mais rápida e menos frustrante quando um roteiro completo para a transformação existe desde o início.

Fato é que a pandemia do coronavírus é o maior propulsor global de mudanças dos últimos tempos, resultando em novos hábitos de consumo e em um novo cenário para a indústria em questão, à medida que somos confrontados com uma realidade que exige – tanto de pessoas quanto de corporações – flexibilidade, resiliência e, acima de tudo, criatividade.

Para aproveitar o impulso e tornar um Shopping Center uma empresa inteligente é preciso viver a experiência do desapego. Essa situação traz evidência ao real desafio de superar a teoria, muito utilizada por economistas, da Sunk Cost Fallacy. Em português, a falácia dos custos irrecuperáveis se refere ao medo e rejeição natural de colocar fim em um negócio, projeto ou ideia que já não faz sentido ou não apresenta resultado, o que corrobora a tomada de decisão equivocada.

Em meio à necessidade de tomar decisões que envolvem um grande investimento inicial, já realizado ou não, seja de tempo, dinheiro ou energia, é inerente o medo de perder. Mas o momento exige ousadia e inovação. E desapego. É hora de deixar de confiar exclusivamente nas experiências passadas e passar a investir em inteligência. Sem isso, não será possível evoluir para uma nova geração de Centros Comerciais.

Fonte: Mercado & Consumo | 20 de agosto de 2020.