Neuroeconomia: como ela pode ajudar sua empresa.

*Profº Edgard Leonardo Nery Meira Lima
A Economia é uma Ciência Social, assim como tantas outras: por exemplo a Sociologia, a Ciência Política ou a Antropologia. Todavia, o cerne de sua preocupação a faz única entre todas as outras Ciências Sociais, muito embora seu objeto de estudo também seja fruto da vida social, a Ciência Econômica se avulta das outras, na medida em que procura compreender como os indivíduos e as organizações relacionam-se, de forma a satisfazer suas necessidades, diante de uma ambiente marcado pela escassez de recursos.
Muito precocemente os economistas se apropriaram de um vasto ferramental matemático e estatístico, que funcionava para alicerçar suas teorias e predições. Contudo, também ficou prematuramente claro que era ainda pouco, para abarcar todas as variáveis que interviam no processo de tomada de decisão. Lembrando, que tanto a Teoria Microeconômica quanto o Marketing preocupam-se em compreender o comportamento dos indivíduos em processos de tomada de decisão; neste caso, onde incluímos o Marketing, notadamente as decisões relacionadas ao consumo.
E, faz-se necessário evidenciar, que os indivíduos, coautores da vida em sociedade, tomam decisões a todo o momento, na medida que se relacionam para produzir de forma eficiente e eficaz, tomam decisões nos processos de troca e consumo de bens e serviços diversos, enfim: nas escolhas diárias que realizam para satisfação de suas múltiplas necessidades.
William Jevons, ainda no século XIX, já nos apresentava que a existência de mecanismos subjacentes a tomada de decisões, dificultava a compreensão do comportamento humano e para simplificar o entendimento dos processos que resultavam nas escolhas, os economistas tratavam, e de certa forma ainda tratam, o cérebro humano como uma “caixa preta” e apresentavam equações para simplificar processos cerebrais até então desconhecidos.
Ocorre, que com os avanços da neurociência, agora é possível para os cientistas observar detalhadamente os processos que se desenvolvem no cérebro humano, mostrando em tempo real que partes são ativadas durante andamento da tomada de decisão.
Bem como, associar novos fatores à análise, como os de origem psicológica e biológica, relacionados às estruturas cognitivas neurais e às emoções. Considerados, agora, parte integrante da análise econômica, proporcionando assim uma compreensão mais abrangente do processo decisório.
Concebendo-se então, a partir da perspectiva apresentada, uma nova área da Economia, a Neuroeconomia, uma área do conhecimento que coaduna em seus alicerces, saberes não apenas da Economia, mas também da Psicologia e da Neurociência, procurando melhor compreender os mecanismos da tomada de decisão.
Todo este esforço da Ciência Econômica para abarcar em suas análises outras áreas e saberes, parte do princípio que compreender todos os mecanismos intervenientes do processo decisório de compras, permite ao empreendedor comunicar-se melhor com seu mercado, atuando de maneira mais eficaz para o atingimento de seus objetivos.
Pois, uma compreensão mais ampla dos aspectos que motivam o shopper no momento da compra, quais elementos motivadores e quais gatilhos emocionais o levam a efetivar a compra, ou não, permitem que o empreendedor posicione melhor suas ofertas em um mercado cada vez mais competitivo.
A Neuroeconomia, se apresenta, colaborando para que muitas das decisões que os modelos tradicionais não explicavam, pudessem ser compreendidas pelos analistas; lançando uma luz sobre as razões de compra por impulso, permitindo que não apenas aspectos racionais, mas também emocionais sejam agora, levados em consideração.
*Profº Edgard Leonardo Nery Meira Lima, 
Palestrante, consultor, Graduado em Ciências Econômicas (UFPE); Mestre em Administração (UFPE); Pós Graduado em Administração com Ênfase em Marketing (UFRPE) e Comércio Exterior (UFRPE); professor da Faculdade SENAC e Grupo Tiradentes.
Especialista em Estudos Prospectivos (CEPAL ONU); gestor com experiência em gestão de empresas privadas.
Fonte: Varejo Nordeste | 06 de setembro de 2018.