Mais de um terço do e-commerce terá frete gratuito na Black Friday de 2018

Foto: DCI

Ainda que a logística de entregas seja o maior desafio para mais de um terço do e-commerce durante a Black Friday, cerca de 36% dos lojistas virtuais brasileiros pretendem oferecer frete grátis para pedidos realizados durante a edição de 2018 do evento.

A conclusão é de levantamento com executivos do comércio eletrônico realizado pela empresa de tecnologia logística Mandaê. De acordo com ela, entre o contingente que planeja o frete grátis na Black Friday, pouco mais de um quarto (ou 8% do total de lojistas) só deve utilizar a estratégia durante a data.

Este é o caso da loja virtual Biellísima, especializada em lingeries e moda praia. Fundadora da empresa, Priscila Biella explica que, de modo geral, a entrega gratuita só é disponibilizada para compras acima de R$ 300. Já na Black Friday deste ano, a opção será liberada para todos os pedidos.

“Às vezes vale a pena, mas não é uma regra”, sinalizou a empresária ao DCI. De acordo com Priscila, em outras ocasiões – como Dia das Mães ou dos Namorados –, o frete grátis só foi disponibilizado pela marca “na última semana das campanhas, como forma de garantir um up [nas vendas].”

Só que a oferta do benefício nem sempre sai barata. “Em entregas para a região Sudeste, o frete é relativamente barato. Já se a encomenda vai para [estados como] Bahia, Pará ou Rio Grande do Norte, há casos onde o custo chega a R$ 70”, explica Priscila.

Adicionalmente, a empresária do ramo do e-commerce lembra que, caso ofertada o ano todo, a opção da entrega grátis perde parte do apelo. “Quando vira um benefício padrão, muitas pessoas deixam de dar importância.”

No e-commerce nacional, a oferta do frete grátis pelos lojistas tem oscilado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Em 2017, apenas 12% do setor apostava na opção. Quatro anos antes, o percentual era maior: 15%. Já entre os ouvidos pela Mandaê em setembro último, 24% afirmaram que a opção faz parte da política da empresa.

Para o chefe de operações da Mandaê, Karim Hardane, a adoção de “mecanismos diferenciados que garantam uma experiência perfeita de entrega” – como é o caso do frete grátis ‘pontual’ – representam “uma oportunidade única de fidelizar o cliente e garantir retorno financeiro” durante o restante do ano.

A análise vai de encontro com números recentes sobre a Black Friday divulgados pelo Google: de acordo com a empresa, 75% das pessoas que adquiriram produtos na data em 2017 voltaram a fazer a negócio com a mesma loja.

Por outro lado, a mesma pesquisa constatou que um contingente de 23% dos brasileiros não realiza compras no comércio eletrônico justamente para evitar o pagamento de taxas de entrega.

Ferramentas 

De modo geral, segundo a Mandaê, a entrega de encomendas foi o maior desafio para o e-commerce durante a Black Friday do ano passado, sendo lembrada por 36% do mercado (logo em seguida vem a falta de produtos no estoque, citada por 12%).

Apesar da constatação, 55% dos entrevistados afirmam não possuir algum tipo de planejamento especial para evitar contratempos na edição deste ano. Para Karim Hardane, tecnologias como sistemas de rastreamento, gestão de ocorrências ou roteirização poderiam auxiliar a resolução de parte dos problemas.

Atualmente, segundo a Mandaê, tais serviços ainda estão restritos a uma parcela do setor no País: no caso de ferramentas de gestão de entregas, apenas 18% fazem o uso da tecnologia. Ferramentas de prevenção de ocorrências são ainda menos populares, fazendo parte do cotidiano de apenas 7% da amostra.

Omnicanalidade

Conforme publicado pelo DCI ontem (29), um investimento mais robusto dos lojistas virtuais em tecnologia vai marcar a edição de 2018 da Black Friday – que deve faturar R$ 2,43 bilhões este ano, segundo projeções da consultoria Ebit.

Entre os principais objetivos dos lojistas está a integração dos canais online e físico (também conhecida como omnicanalidade). Segundo a Mandaê, pelo menos 20% dos lojistas brasileiros já oferecerão a opção de “compre online e retire na loja” durante a Black Friday de 2018. Já outros 2% cogitam o uso de pontos de retirada de terceiros como forma de diminuir custos e prazos.

Fonte: DCI | 30 de outubro de 2018