Loja 4.0: a reinvenção nos pagamentos

Foto: Thinkstock

Para comprar um dos vinhos ou cervejas artesanais vendidas no Empório 88, localizado em Brusque, em Santa Catarina, os clientes não precisam levar dinheiro, cheque ou cartão. Nem mesmo a carteira é necessária.

Há três meses, André Machado, proprietário do empório, adotou um modelo novo de pagamento.

Por meio de um QR Code gerado por um aplicativo, o consumidor consegue realizar a transação utilizando o celular. O atendente também se vale de um aparelho celular ou tablet para fazer a leitura. A startup Code Money é a responsável por essa ferramenta.

Machado mantém outras formas de pagamento convencionais, mas a adesão de clientes a essa tecnologia é grande, principalmente na faixa etária mais jovem que está habituada a assistir às séries, consultar o banco, ouvir música e se locomover pelas cidades usando apps.

Diferentes bancos, startups e bandeiras de pagamento estão criando novas ferramentas para tornar as transações no varejo mais práticas e rápidas, sem perder a segurança.

A Visa, por exemplo, já disponibiliza no Brasil uma pulseira com um chip embutido para realizar pagamentos. Para finalizar a transação, o usuário deve apenas aproximar o pulso de uma máquina de cartão.

Já o Banco Santander oferece um adesivo para os seus clientes, que pode ser colocado no celular ou em qualquer objeto. Da mesma forma que a pulseira, basta apenas aproximar para realizar a transação.

Os cartões de plástico – como conhecemos hoje – podem estar com os dias contados. De acordo com uma pesquisa realizada pela VisaNet, os pagamentos sem contato já representam mais de 40% das transações na Europa.

O conceito de carteira digital ou de pagamento “contactless” (sem contato) surgiu em conjunto com a tecnologia comunicação por campo de proximidade (conhecido pela sigla NFC, que significa Near Field Communication). Por meio de frequência de rádio de curta distância, é possível transmitir dados sem que seja necessário configurar os dispositivos.

Os recursos do NFC já são amplamente utilizados para diversos fins. O mais comum é o utilizado por empresas como Sem Parar e Conect Car para realizar transações rápidas em pedágios e estacionamentos.

PAGAMENTOS MAIS SIMPLES

A Code Money é umas das empresas que está repensando o sistema de pagamentos para pequenos e médios comerciantes.

Fundada em setembro de 2015 pelos sócios Júnior Beltrão, Maikew Lucas Medeiro e Thuran Crespi, a startup surgiu com o intuito de melhorar o fluxo de pagamento no varejo.

Para os comerciantes, como André Machado, do Empório 88, o aplicativo da empresa não gera custos mensais, apenas é cobrada uma taxa que pode começar e 3,51% e cair para 2,89%, dependendo do histórico do varejista.

Nas empresas tradicionais, além do aluguel da máquina, a percentagem das transações pode chegar até 6%.

Os consumidores finais também não pagam para usar o aplicativo, a exceção quando o escolhem o pagamento parcelamento.

Além da economia, outro benefício para os varejistas é a comodidade. O pagamento com as máquinas tradicionais –que demandam inserir o chip, passar a senha e imprimir o comprovante –levam em média 25 segundos, com uso da ferramenta da Code Money o tempo é reduzido para três segundos.

Mesmo com rapidez no processamento, a segurança das transações é mantida por meio de dados criptografados e de um sistema antifraude.

“A Code Money é diferente das soluções de pagamento criadas pelos bancos, que geram valor só para os consumidores e não para os lojistas”, afirma Beltrão. “Além de não cobrar taxas adesão, a ferramenta gera benefícios como um relatório sobre perfil do consumidor.”

A empresa processa cerca 60 mil transações por mês. Por enquanto, a startup atua principalmente no sul do país e está começando a expandir para a região sudeste.

Por enquanto, a maior parte dos comerciantes que adere a essa tecnologia atua no setor de alimentos. E a maioria dos consumidores que utiliza o aplicativo é de jovens que utilizam de forma recorrente apps como Uber, Nubank e Spotify.

Mas Beltrão e seus sócios acreditam que os pagamentos sem contato serão mais populares nos próximos anos.

De acordo com a Juniper Research, empresa de pesquisa digital, o valor das transações sem contato feitas por meio de cartões de pagamento, celulares e wearables (como pulseiras e camisetas) chegará a US$ 1,3 trilhão até 2019.

Veja outras empresas que atuam nesse segmento:

Fonte: Diário do Comércio | 11 de abril de 2018

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