Impactos negativos atingem 89% das empresas pernambucanas

Foto: Diário de Pernambuco

A pandemia do coronavírus gerou uma crise econômica em todo o mundo e, trazendo para o universo local, os impactos foram bastante relevantes para as empresas pernambucanas. De 345 empresários e executivos ouvidos pela pesquisa Crise Covid-19 & Inovação, realizada pela TGI Consultoria, 89% afirmaram que foram atingidos negativamente. Dentro deste universo, 47% sentiram os efeitos de forma muito forte. Os principais fatores foram a diminuição da receita e também da demanda, além da mudança na dinâmica do trabalho. Por outro lado, mesmo as empresas que foram impactadas positivamente, sendo 11% do total, os efeitos não foram tão relevantes. Para 65% delas o impactos foram baixos.

A sondagem revelou um panorama difícil para as empresas pernambucanas. “Quem foi impactado negativamente, foi de forma muito forte em sua maioria. Já quem sentiu reflexos positivos, a maioria foi de forma leve. No primeiro caso, houve uma redução da demanda, uma mudança do comportamento dos clientes, que no momento de crise reduzem o consumo, e também da dinâmica de trabalho, como a redução ou paralisação da produção. Já as empresas que tiveram os impactos positivos, elas sentiram um aumento da demanda, mas também tiveram dificuldades, como adquirir insumos ou o aumento do preço deles, além da inadimplência e a concorrência maior porque muita gente passou a oferecer novos produtos”, detalha Carolina Holanda, coordenadora da pesquisa e sócia da TGI.

O momento de dificuldades, no entanto, não paralisou as empresas e a inovação se tornou um caminho para manter os negócios vivos para sobreviver à pandemia. Das empresas pesquisadas, 92% implementaram ou estão desenvolvendo ações de inovação, sendo 23% ajustes internos, 20% com uso mais intenso de mídias digitais e 19% no desenvolvimento do novo serviço ou produto. “É essencial pensar em inovação em época de crise e, durante a pandemia, as empresas começaram a pensar quais eram os ajustes para sobreviver, o que poderiam fazer de diferente, como e em pouco tempo e com pouco dinheiro. As pessoas acreditam que tem que ser algo grande, que demanda muito dinheiro, mas às vezes é um ajuste interno, algo simples. Muitas inovaram em um processo interno, no uso de redes sociais para se comunicar ou como um novo modelo de vendas. Algumas conseguiram arrumar um jeito de se manter. Não alcançaram a mesma receita de antes da pandemia, mas não zeraram o faturamento”, afirma.

O pós-pandemia também é um período que preocupa os empresários. Pela pesquisa, 63% revelaram que o período deve ser de dificuldades. Por outro lado, 37% acreditam na perspectiva de crescimento ou vão potencializar o crescimento durante o período da crise.

Pesquisa
Das empresas que participaram da pesquisa, 41% têm mais de 21 anos de existência; 26% de 11 a 20 anos; 19% de 6 a 10 anos; e 14% até cinco anos de vida. Entre as pesquisadas, 65% estão localizadas na Região Metropolitana, 29% cidades do interior de Pernambuco e 6% de outros estados nordestinos – que são as empresas com sede em outro estado, mas atuação em Pernambuco. Além disso, a sondagem englobou 13 setores, como moda, turismo, transporte, educação e alimentos. “Nossa prática é pautada pelo conhecimento da realidade local, entendemos que não tinha como ser diferente, nenhuma empresa pode aplicar modelos ou fazer mudanças sem considerar os impactos locais, mesmo passando por uma crise global”, explica Carolina Holanda.

Fonte: Diário de Pernambuco | 14 de julho de 2020