Feriados podem causar perdas de R$ 11,3 milhões ao comércio no País

O comércio varejista brasileiro começa 2018 com a previsão nada otimista de perder R$11,3 bilhões no seu faturamento em decorrência do calendário de feriados oficiais do ano. O número, 15% superior ao estimado para o ano passado, é fruto da análise realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que estudou o impacto dos dias de folgas na economia nacional. Nos cálculos, a entidade desconsiderou os feriados estaduais e municipais, que também prejudicam, em média, a atividade comercial. 

Com quatro feriados adicionados a essa lista nada enxuta, após comemorar o encerramento de 2017 com aumento de 6% no faturamento, o comércio recifense já começa a temer com as perdas. “Feriado sempre atrapalha, ainda mais quando tem imprensado. Infelizmente, o comércio de rua sente muito o impacto desses feriadões, visto que depende muito das pessoas nas ruas”, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife), Cid Lôbo, que avalia a possibilidade de estimular a abertura das lojas em datas relevantes para o comércio. 

Segundo a sondagem, se no geral as perdas de faturamento não serão nada singelas, quando se trata de setores específicos, as lojas de vestuário, tecidos e calçados devem deixar de faturar nada menos que R$ 1,3 bilhão, crescimento de 25% em relação a 2017. “Esse segmento é o que concentra o maior percentual de compras por impulso, por isso, é o que detém historicamente o maior prejuízo quando se trata de feriados”, analisa o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos.

Proprietária de loja de vestuário da Rua da Imperatriz, Suyan Neves sabe bem dessa prática, tanto que prefere nem arriscar a abrir nos feriados. “Se abrirmos temos que pagar taxa de sindicato, extra ao funcionário, folga, não é um dia como outro qualquer quando abrimos, prejudica demais em relação às vendas, não atendendo as nossas expectativas”, revela.

O estudo não abriu a discussão de revisão de pontes e feriados, porque outros segmentos econômicos importantes se beneficiam desse período, principalmente aqueles ligados ao turismo, como transporte, hospedagem, passeios e cultura. “No contraponto ao prejuízo sentido pelo comércio varejista, há o incremento financeiro para o setor de serviços, como nas redes hoteleiras e no turismo de forma geral. Quando se trata de descanso e lazer, tradicionalmente a procura por esses mercados se expandem”, afirma Ramos.

Fonte: Folha de PE | 02 de janeiro de 2017

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