Facundo Guerra: “Para sobrevivermos no pós-pandemia, temos que ser muito mais detalhistas”

Para Facundo Guerra, o bar ou restaurante que reabrir no pós-pandemia do mesmo jeito que fechou, não aprendeu nada. Com vários projetos bem-sucedidos, entre eles a Lions Nightclub e o Club Yacht, em São Paulo, no 32º Congresso Abrasel ele conversou com o diretor de conteúdo da Abrasel, José Eduardo Camargo, sobre oportunidades de negócio durante a crise econômica impulsionada pela pandemia do novo coronavírus.

“O que está em jogo hoje é a impossibilidade de estar junto”, diz. Num estado de hibernação social ele reflete sobre os desafios que virão. “Estou preocupado com a recessão que virá. Meu concorrente hoje é a Netflix, o Ifood, o Tinder, não é o restaurante da esquina. Atualmente essas plataformas estão se transformando cada vez mais em ‘lugares’. Antes o Tinder era ótimo, as pessoas davam match e se encontravam depois num bar, para ficar numa coisa mais olho no olho, hoje essa relação acontece em vídeo. Não é necessário mais o bar para esse tipo de contato”.

No cenário pós-pandemia, Facundo destaca o desafio de oferecer aos consumidores experiências que “não dê vontade de relacionar com as pessoas através de uma tela de celular”. Ele explica: “para quem trabalha com lugares de experiência, a digitalização achata essa situação. Ninguém vende só comida ou bebida, você vende interações sociais que giram em torno da comida ou bebida, é um eixo para pessoas se juntarem. Estamos numa situação muito abaixo do ideal”.

Crise e planejamento

Para Facundo, a crise já existia há 2, 3 anos, a pandemia foi apenas a pá de cal. “o setor é muito pouco profissional, tudo é feito meio que ali, na prática, as leis são burocráticas e confusas, a lei trabalhista é horrorosa. Montar um negócio de alimentos e bebidas é uma dificuldade tremenda. Ninguém, por mais planejamento que tenha, estava preparado para ficar cinco, seis meses sem faturar. Quem ficou vivo até agora está no limite das suas forças. Se nem com todas as mesas esses negócios iam bem, imaginem com 40% da capacidade? Pra gente sobreviver na pós-pandemia, termos que ser muito mais detalhistas que antes. Eu duvido que em 99,9% dos estabelecimentos, há verificação de ficha técnica a cada 15 dias. É uma questão de sobrevivência nos nosso negócios. É tudo detalhe, mas num efeito cumulativo, é muito dinheiro, é hora de apertar todas as torneiras, agora é hora de cuidar a retaguarda e conservar a energia, não é pra ir pra front. É hora respirar, organizar e recuperar. Mais pra frente, ir pro front e conquistar novos territórios. Um restaurante é muito mais um laboratório científico que um espaço de criação”, finaliza.

Fonte: Abrasel | 26 de agosto de 2020.