Fabricantes desbravam venda online e põem varejistas em estado de alerta

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Encontrar formas de ganhar margem na venda e se aproximar do cliente final é busca constante das indústrias brasileiras. Com a popularização do e-commerce, a performance por meio de plataformas digitais serve para unir marcas e clientes, mas pode gerar ruídos com o varejo tradicional se não for bem direcionada.

“Apostar na venda direta ao consumidor com e-commerce é uma solução bastante rentável para as indústrias, mas é preciso tomar muito cuidado para que a venda no site próprio não canibalize os negócios feitos direto com o varejo tradicional”, resume o professor marketing da Universidade Paulista e especialista em jornada do consumidor, Cleiton Buarque Rival.

Na opinião do acadêmico, indústrias interessadas em oferecer produtos por meio de um e-commerce podem angariar informações valiosas sobre o perfil do consumidor, conquistar uma margem de lucro maior e elevar a fidelização do cliente, mas alguns cuidados são essenciais: “O e-commerce pode ser uma forma de levar produtos para cidades mais afastadas, ou conseguir o cliente que geralmente não frequenta lojas, mas a oferta não pode ser atraente demais a ponto de não ser competitiva com os preços do varejo tradicional.”

Ele explica ainda que uma solução é vender no online próprio itens com pequenas avarias, com um prazo de validade menor ou até usar a internet para lançar novos produtos e mensurar a aceitação dos consumidores.

Mercado aquecido 

Quem sentiu esse aumento na demanda por fabricantes interessadas em uma maior interção virtual foi a Performa Web, agência focada serviços de marketing digital. Nascida em 2012, a empresa já angariava clientes como Submarino Viagens, CVC, Fnac, Ri Happy e, mais recentemente, se tornou responsável pelo desenvolvimento da plataforma de e-commerce da Pro Nova Cosméticos – que detém as marcas Giovanna Baby e Phytoervas.

De acordo com o CEO da Performa Web, Denis Casita, esse movimento da indústria interagindo no ambiente digital acelerou nos últimos anos, e algumas empresas têm obtidos bons resultados.

“[O e-commerce] é uma oportunidade para a indústria se aproximar do consumidor final e também de vender com mais margem. Basta ver algumas marcas importantes, como Brastemp e Consul (Whirlpool), a Unilever e a L´oreal com venda direta ao consumidor” comenta ele.

Otimista com os negócios deste ano, o executivo conta que a meta é dobrar o faturamento quando comparado ao de 2017, com reforço das operações com indústrias e empresas de serviços. “Temos conversado com alguns potenciais clientes do ramo de construção civil, fornecedores de insumos para hospitais e outras áreas”, disse ele, que ainda tem no varejo sua maior base de clientes.

Com o pé direito

Por meio da plataforma Vtex, a empresa preparou todo o ambiente digital das marcas Giovanna Baby e Phytoervas, que agora esperam alta de 10% com a disponibilização do novo canal de vendas. Dentro do site, as vendas podem ser feitas tanto pelo consumidor final, quanto por empresas interessadas em revender os produtos da fabricante.

Segundo Glaucia Felicia, gerente de marketing da Giovanna Baby e da Phytoervas, o e-commerce já trouxe bons resultados “Recebemos um feedback bastante positivo de nossos consumidores quanto à usabilidade e facilidade de compras”, diz ela, que não descarta o interesse da marca em atuar no mercado de marketplaces no futuro.

Fonte: DCI | 06 de julho de 2018