Epidemia do coronavírus ameaça varejo e impulsiona e-commerce

Foto: Estado de Minas

Enquanto o vírus COVID-19, conhecido popularmente como coronavírus, se espalha pelo mundo e registra o primeiro caso no Brasil, diversos setores da economia já calculam os efeitos da epidemia global em seus negócios – entre elas empresas ligadas ao setor do turismo, de transporte e, principalmente, ao comércio.

Um estudo da consultoria internacional Kantar, no entanto, chegou a conclusões importantes para as empresas que precisam definir suas estratégias no médio prazo. A companhia recolheu dados de forma online de mais de mil companhias entre 6 e 9 de fevereiro na China, inclusive na região de Hubei, epicentro da crise, para entender como a população tem se comportado. O levantamento constatou que, durante este período, a forma e as prioridades de consumo também sofreram drásticas mudanças, com forte redução de compras em lojas físicas e aumento das compras pelos canais digitais.

Pela impossibilidade de sair de casa, as indústrias de entretenimento e turismo são as que mais sofrem: 75% dos chineses disseram ter cancelado compras destas categorias e 17% reduziram os valores desde o início da crise. Em contrapartida, os gastos com alimentos e bebidas cresceram em 40% dos lares, produtos de limpeza em 48% e seguro saúde em 38%, especialmente na província de Hubei.

No entanto, quando finalmente puderem deixar suas casas, 82% dos chineses pretendem retomar as refeições na rua, 78% têm planos de viajar e 77% de investir em entretenimento fora de casa, chamado de out of home. A retomada não indica índices tão positivos para a indústria de luxo, que deverá ter as maiores perdas a curto e médio prazo, já que 61% afirmaram ter reduzido ou eliminado estes itens do orçamento e 21% pretendem continuar diminuindo a compra com o fim da crise. Este comportamento pode ser reflexo das mudanças de perspectiva de consumo que as pessoas apresentam após esse tipo de evento.

Foto: Estado de Minas

E-COMMERCE
Como é preciso passar o maior tempo possível em casa, 55% dos chineses têm usado as plataformas de e-commerce para abastecer as prateleiras. Segundo a Kantar, um comportamento curioso é que as pessoas têm se juntado em grupos de vizinhos, amigos ou familiares para trocar produtos ou fazer compras coletivas. Para isso, têm se organizado usando a plataforma de mensagens instantâneas WeChat.

De acordo com o levantamento, 35% das famílias citaram os grupos como um novo canal de compra. Este é provavelmente o mais longo período da história em que milhões de chineses têm sido obrigados a ficar em casa. Além de aulas online para crianças e adolescentes e trabalho remoto, as atividades que mais preenchem o tempo são na maioria relacionadas às telas: 58% optam por vídeos de longa duração, 56% por vídeos curtos e 41% estão ligados na TV. Já para 54% dos entrevistados, descansar tem sido a principal maneira de driblar o confinamento. Na sequência, 28% das pessoas têm aproveitado o período para cozinhar mais, 23% para curtir os filhos, 30% para estudar online e 26% para ler.

Apesar do cenário favorável ao crescimento das vendas online, a maior empresa de comércio eletrônico do mundo não está tão otimista assim. O Alibaba Group alertou que o surto de coronavírus, que já matou quase 3 mil pessoas na China, está causando um forte impacto sobre consumidores e comerciantes do país e afetará o crescimento da receita no atual trimestre.

De acordo com a companhia, o vírus afeta a produção na economia porque muitas pessoas não podem ir ao trabalho ou desempenhar suas funções. O surto também mudou os padrões de compra: os consumidores diminuíram os gastos discricionários, como viagens e restaurantes. A gigante chinesa de comércio eletrônico fez os comentários depois de divulgar fortes resultados financeiros no trimestre encerrado em dezembro. A receita subiu 38%, acima do esperado, para 161,5 bilhões de yuans (US$ 23,1 bilhões), enquanto o lucro líquido aumentou 58%, para 52,3 bilhões de yuans.

No entanto, de acordo com o CEO Daniel Zhang, a epidemia tem impactado negativamente a economia geral da China, especialmente os setores de varejo e serviços, disse Wu em teleconferência após os resultados. Embora a demanda por bens e serviços exista, os meios de produção na economia foram prejudicados pela abertura tardia de escritórios, fábricas e escolas.

Zhang disse ainda que a empresa observa mudanças relativamente significativas nos padrões de compra. Enquanto a entrega de alimentos está crescendo, áreas como roupas e eletrônicos enfrentam problemas logísticos. Ele alertou que a divisão de comércio eletrônico sofreu um impacto negativo nas duas primeiras semanas após o feriado. Pedidos de restaurantes e reservas de viagens também foram atingidos.

Fonte: Estado de Minas | 27 de fevereiro de 2020