Empresário do comércio está mais pessimista com a economia

Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem

As expectativas de que 2018 seria o primeiro ano de recuperação mais consolidada da economia não vai responder como o esperado. E a greve dos caminhoneiros, em maio, teve impacto importante nessa revisão das projeções. Desde o início do ano, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) já caiu de 2,7% para 1,55% e ainda pode ser revista até o final do exercício. No comércio, um dos setores mais prejudicados pela paralisação dos caminhoneiros, o pessimismo aumentou entre os empresários. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de Pernambuco, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) recuou -10,6% em junho e voltou a ficar negativo (abaixo dos 100 pontos), saindo de 111,6 para 99,3.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife), Cid Lôbo, calcula que os dias de paralisação provocaram uma queda de 50% nas vendas do comércio em relação aos dias normais. “A falta de transporte coletivo no início da greve e a dificuldade para conseguir combustível fizeram com que as pessoas ficassem em casa. O comércio do Centro ficou praticamente vazio e esses reflexos vão impactar o resultado do ano todo”, acredita.

A avaliação dos empresários foi impactada negativamente pela paralisação. “O setor, mesmo após um mês do fim da greve, ainda vem apurando os impactos, apontando que a situação para alguns segmentos ainda não foi normalizada, pois alguns estabelecimentos alegam demora para normalização dos níveis de estoque semanas após o encerramento do movimento”, destaca o economista da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE)”, Rafael Ramos.

Dentro dos dez indicadores que compõem o ICEC-PE, os que mais mostraram piora são os que avaliam as condições da economia, num reflexo do crescimento da desconfiança em relação a recuperação econômica do País ainda em 2018. Isso porque indicadores importantes para a velocidade da recuperação vêm mostrando desempenhos aquém do esperado. Um exemplo é a deterioração do mercado de trabalho no primeiro trimestre do ano, além dos sucessivos recuos na expectativa de crescimento da economia brasileira.

CENÁRIO

“A expectativa que os empresários em Pernambuco têm para o desempenho economia brasileira também mostrou recuo significativo, em função de um cenário externo mais adverso por conta da crise comercial entre Estados Unidos e China e um cenário interno afetado pela indefinição das eleições, com o câmbio mostrando pressão a cada dia que se aproxima da data do registro das candidaturas”, analisa Rafael Ramos.

Os empresários do comércio pernambucano também estão mais pessimistas quando os assuntos são a situação do setor de comércio, da sua empresa, de contratação de funcionários e novos investimentos. “A greve também reduziu a recuperação da confiança das famílias, que no período de paralisação voltou a ter um comportamento conservador, focando apenas em itens essenciais, adiando assim compras planejadas e até mesmo por impulso, já que o período também retirou o número de pessoas nos grandes centros comerciais com impacto direto no setor de transporte”, conclui o economista.

Fonte: JC Online | 01 de julho de 2018