E-commerce deve explorar melhor as vendas via celular para manter ritmo

Foto: DCI

Com a perspectiva de obter alta de 15% em vendas neste ano – chegando a R$ 61,2 bilhões em receita –, o setor de e-commerce acredita no aumento dos usuários ativos e na maior disseminação da cultura de compras por meio dos smartphones. Embora esse cenário seja positivo, fatores como frete e logística ainda se colocam como os grandes entraves no mercado virtual.

A previsão faz parte de um estudo divulgado ontem pelo Ebit e revelam que um dos principais pilares para o avanço do comércio eletrônico no Brasil é a venda realizada pelo celular, o m-commerce. Segundo a pesquisa, o volume comercializado via mobile teve evolução de 12% em 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior. O tíquete médio das compras realizadas via smartphone devem chegar a R$ 447 em 2019 – representando uma alta de 3% em 2018.

“O m-commerce vem se mostrando a grande via de democratização do e-commerce. Em 2018, registramos 10 milhões de consumidores que fizeram uma compra onlinepela primeira vez, incluídos digitalmente a partir da expansão do mercado de smartphones e do acesso à banda larga”, disse a líder da Ebit Nielsen, Ana Szasz.

De acordo com ela, o hábito de consumo dos usuários atualmente assumiu um caráter mais “imediatista”, o que exige da parte dos lojistas preparo em termos de logística de pronta entrega. “Diria que esse é um dos principais desafios a serem enfrentados pelo e-commerce. As exigências dos consumidores também podem ser observadas nas compras de bens não duráveis, as quais tem a finalidade de consumo rápido e também de abastecimento. O aperfeiçoamento desses processos vai desde a área da tecnologia até a finalização da entrega”, complementou a executiva.

Além disso, explica ela, esse movimento de disseminação da cultura do consumo online está gradualmente migrando do eixo Rio-São Paulo para outras regiões do País.

“Se observarmos, São Paulo, ainda temos a concentração em torno de 60% do que é comercializado virtualmente. Porém, é possível notar um processo de democratização ocorrendo desde 2018. Podemos considerar que já foi um empurrão nesse sentido”, afirmou ela, lembrando que muitas vezes o frete ainda pode ser visto como um “muro” na hora do usuário finalizar a compra. Prova disso é que, segundo o Ebit, a Região Nordeste foi uma das que apresentou o maior índice de evolução no período analisado, com um avanço de 27% no volume de vendas. Logo em seguida, vem o Norte (22%), Sul (20%), Sudeste (6%), Centro-Oeste (5%).

Sobre as categorias registraram maior crescimento no m-commerce estão itens de perfumaria, cosméticos e saúde (51%), informática (27%), alimentos e bebidas (23%), e moda e acessórios (6%).

Já na perspectiva do gerente de consultoria da Linx Commerce, Luiz Dias, a disseminação de novas transportadoras e um investimento maior na malha rodoviária deve resultar em um alcance maior das vendas online no território nacional. “Há um grande debate sobre como as plataformas podem se tornar mais competitivas em termos de prazo de entrega e, consequentemente, melhorar a taxa de conversão. Com isso, também podemos ver o surgimento de várias empresas transportadoras especializadas nesse processo de digitalização”, afirmou Dias.

Ainda de acordo com o executivo, outro aspecto determinante para o êxito logístico do e-commerce diz respeito à densidade demográfica do Brasil, uma vez que a concentração populacional não ocorre de modo uniforme, dificultando consideravelmente a execução dessas entregas.