Copa altera vendas no comércio do Recife

Setor de vestuário teve um recuo de 46,9% durante os jogos, segundo a pesquisa da Cielo
Foto: Gustavo Glória

Enquanto os brasileiros comemoram a ida da seleção brasileira às quartas de final da Copa do Mundo, alguns setores do País já sentem os reflexos de um fuso horário de seis horas de diferença em relação à Rússia. No varejo, por exemplo, apenas na primeira fase do mundial, a queda de faturamento durante os jogos foi de 25%, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). De acordo com a análise, os jogos com início na primeira parte da manhã, às 9h, impactam negativamente o movimento do comércio, em especial, o de vestuário, eletrodomésticos e de bares e restaurantes. No contraponto do índice, influenciada pelo horário mais cedo, as padarias viram seu faturamento crescer. No dia 22, quando o Brasil jogou às 9h, a alta foi de 7,1% para o setor.

Na Padaria Santa Cruz, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife, o gerente Eduardo Amorim, 26, constatou que as vendas alavancaram nas horas que antecederam os jogos, apesar de caírem quando começam as partidas. “De segunda à quarta, tirando os horários de pico, é praticamente morto. E hoje a gente percebeu uma grande diferença no período pré-jogo”, revelou o gerente, destacando que a Copa do Mundo está sendo boa para o faturamento.

Já na Parla Deli Delicatessen, com unidades nos Aflitos e Casa Forte, nos dias em que a seleção jogou, o faturamento da padaria cresceu 30% e a perspectiva é de que ultrapasse esse percentual na próxima partida. “A quantidade de cliente que vai à loja logo antes do jogo do Brasil para comprar as coisas – bebida, tábuas de frios – é grande. Além do faturamento normal da padaria, a gente tem essa demanda da Copa”, explicou Marcelo Silva, proprietário da delicatessen.

Por outro lado, no comércio varejista recifense, a Copa não tem trazido bons frutos. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife), Cid Lôbo, a queda de faturamento nos últimos jogos foi de cerca de 30%. “Menos gente na rua, menos vendas. Além do mais, com esses jogos iniciando logo cedo”, comenta Lôbo.

Para o economista do Instituto Fecomércio em Pernambuco, Rafael Ramos, a informação revelada pela Cielo não chega como surpresa quando se trata de Copa do Mundo. “Não é esperada elevação das vendas nos dias de jogos, principalmente no pré-jogo. Ainda mais quando os jogos são de dia, pois esse período é morto, sem vendas”, argumenta o economista.

Na Magazine Luiza da Rua da Concórdia, o movimento durante os jogos do Brasil tem caído em 50%, o que confirma a pesquisa, que apontou queda de 45,6% nos dias de jogos da seleção. “O dia que teve menos movimento foi ontem, quando o jogo começou às 11h”, contou o gerente Richard Lima. Na loja de móveis Casa Aliança, na mesma rua, a tendência acompanha o ritmo de queda nas vendas.

No segmento de vestuário, com recuo de 49,6% apontado pela pesquisa da Cielo, os comerciantes endossam o índice. “Antes do jogo, a gente não vende nada e depois ninguém volta. Não tem movimentação”, contou Iderlândia de Andrade, gerente da loja de roupa da Rua da Imperatriz.

Otimismo
Segundo a pesquisa da Cielo, enquanto as padarias se beneficiaram positivamente com os jogos mais cedo, o setor de bares e restaurantes teve queda média de faturamento de 13,2%. A informação, no entanto, é questionada pelo presidente da seccional pernambucana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PE), André Araújo. “Essa pesquisa da Cielo é a nível nacional e não está refletindo a realidade do segmento aqui em Pernambuco, ao menos nos bares e restaurantes que investiram em promoções para atrair o público nesta copa”, comenta Araújo, argumentando que estimativa da Abrasel aponta aumento de faturamento de aproximadamente 15% no período.

Com relação ao setor de supermercados, o índice da Cielo revela que apesar de ter queda no faturamento de 4,4%, o setor conseguiu ter o menor número de redução do faturamento incentivado pelo aumento das vendas antes do jogos. De acordo com Anderson Gomes da Silva, proprietário do Bar da Dona Zuleide, no Mercado da Boa Vista, os jogos do Brasil no campeonato mundial tem lhe rendido um aumento de até 200% nas vendas. “É sempre dobrado em dia de jogo”, revela o comerciante.

Fonte: Folha de Pernambuco | 03 de julho de 2018