Como o ship from store tem favorecido o varejo

Imagine a seguinte situação: em busca de um novo sofá, o consumidor se decide por um modelo que viu na vitrine de uma loja a um quarteirão de sua casa. Sem tempo de visitar a loja física para realizar a compra, esse mesmo consumidor busca pelo item no e-commerce da varejista e o encontra.

Por ali, descobre tudo o que precisa sobre o sofá – tamanho, material, cor e preço. Ele dá sequência à compra e quando chega no último passo, é informado que o prazo de entrega é de quase um mês. Além disso, o frete custa cerca de 10% do valor total do produto.

Inevitavelmente, surge o pensamento: como algo tão perto e disponível pode demorar tanto a chegar e custando tão caro?

De acordo com a pesquisa mais recente feita pelo Reclame Aqui sobre o assunto, é nesse passo da jornada de compras que muitos clientes desistem, ou seja, abandonam carrinhos e os negócios perdem volume de vendas. O material mostra que o valor do frete é o principal motivo de desistência para 63,9% dos consumidores. Na sequência, 18,6% reclamam do prazo de entrega do produto.

É justamente esse imbróglio que o conceito ship from store tenta resolver.

No formato tradicional, logo que a compra é realizada, o pedido é gerado e direcionado ao centro de distribuição que dará sequência ao processo de envio do produto.

Já o conceito ship from store funciona da seguinte maneira: assim que a compra é realizada, o sistema identifica qual a loja mais próxima em que há o produto desejado. Sem o uso de centros de distribuição e a concentração de estoque num único local, as mercadorias ficam distribuídas em lojas físicas específicas e próximas a diferentes centralidades.

Ou seja, um modelo de logística que transforma cada loja em um pequeno centro de distribuição e acaba por criar um sistema para atender às demandas com as possibilidades mais próximas do seu destinatário.

A estratégia foi providencial para o Westwing, clube de compras on-line de casa e decoração. Com uma queda de pelo menos 20% nos dez primeiros dias da pandemia, a empresa se mobilizou em busca por novos formatos, produtos, parcerias e entregas.

Voltada a um público majoritariamente feminino, das classes A e B, a empresa analisou o que essas consumidoras desejavam adquirir no período de isolamento. Atenta às novas necessidades, passou a oferecer também artigos de esporte, de yoga, brinquedos, roupas, acessórios de beleza – além dos artigos de casa e decoração, nos quais já era reconhecida.

Uma decisão que fez com que a empresa crescesse, apenas em julho, 170% em comparação ao mesmo período do ano passado – um recorde no número de entregas – mais de 400 mil itens enviados.

As novas categorias foram vantajosas não apenas para a marca, mas para lojas físicas que não contavam com canal de vendas on-line. Em formato de ship from store, era possível escolher produtos diretamente no site do Westwing, que cuidava, então, da logística de retirar a peça da loja e entregar diretamente ao comprador.

“Essa parceria alavancou as vendas de lojas que estavam sem receber público. Em momentos de crise, é essencial fortalecer o ecossistema de negócios e identificar oportunidades de apoio mútuo”, explica Andres Mutschler, fundador e CEO do Westwing Brasil.

Com tantos desafios logísticos impostos no início da pandemia, ter um modelo em que a logística é feita a partir dos pontos comerciais de parceiros integrando estoques de diferentes canais de vendas, ajudou o Westwing a reduzir ou, basicamente, zerar o frete e acessar novos consumidores.

Mutschler diz que a modalidade de entrega foi criada em três semanas pelo time de tecnologia e, em parceria com a Loggi, a empresa começou a entregar nas cidades com frete grátis. Ao mesmo tempo, ampliou a gama de parceiros e categorias. 

Agora, além das campanhas de vestuário e cosméticos, o Westwing também oferece desde produtos de exercício e brinquedos até alimentos e bebidas, com marcas como Lindt e Kopenhagen.

“Estamos trazendo prazos de entrega mais curtos para os clientes com o ship from store”.

A Zara com sua cadeia global de moda, com mais 2 mil lojas em 48 países e muito estoque para gerenciar é um bom exemplo dessa prática. 

Com tantas lojas espalhadas pelo mundo, muitas vezes, alguns produtos se esgotavam on-line, mas ainda podiam ser encontrados em outras lojas. Com a integração de estoques, todas as lojas passam a ser gerenciadas com mais facilidade e os itens desejados são enviados diretamente para a loja mais próxima do consumidor.

BENEFÍCIOS DO SHIP FROM STORE

Mais economia e agilidade: Se em algum caso o valor do frete ainda incomodar o cliente, ele pode optar por retirar o produto na loja mais próxima, de forma imediata. 

Menos abandonos de carrinhos: Com a opção, a tendência é de que o índice de abandono de carrinhos tenha forte declínio. Se isso não acontecer surge um alerta para outro possível problema.

Mais fidelização: A garantia de uma entrega rápida e econômica é razão suficiente para os clientes voltarem à sua loja on-line para fazer mais compras. Lembre-se, é mais fácil manter um cliente do que conquistar novos.

Mais vendas: O maior movimento de clientes dentro das lojas físicas buscando encomendas os obriga a passear pela loja, observar prateleiras e claro, pode despertar mais desejos de compras.

Fonte: Diário do Comércio | 24 de setembro de 2020.