Como Buenos Aires se transformou para favorecer o comércio

Buenos Aires utilizou calçadas e parte das ruas para fomentar o comércio
Partindo do pressuposto de que o novo coronavírus tem menor risco de contagio em ambientes abertos, muitos negócios tentam adaptar seu funcionamento à áreas mais ventiladas do imóvel em que estão instalados ou externas quando disponíveis.

Ambas possibilidades, entretanto, não fazem parte da realidade de muitos comércios, e por essa razão, a utilização de ruas e calçadas tem sido uma boa alternativa para esses empreendimentos ao redor do mundo.

Na cidade de Buenos Aires, na Argentina, 100 mil metros quadrados de avenidas, ruas e passarelas foram escolhidos para receber uma série de intervenções para promover o comércio local e evitar multidões.

Espaços para pedestres foram ampliados em ruas, avenidas, passarelas e viadutos com alto fluxo de pedestres a fim de garantir o distanciamento social. Além disso, a velocidade dos automóveis foi reduzida em diferentes eixos da cidade.

A proposta, de acordo com a arquiteta Carolina Truzzo, do setor de Planejamento e Mobilidade de Buenos Aires, é dar ao espaço público um novo uso pautado em sustentabilidade, adaptável às novas normalidades de segurança, e replicável em todos os bairros da cidade de Buenos Aires.

Em relação à mobilidade urbana, a ideia é eliminar a necessidade de transporte público e o uso de veículos individuais para pequenas distâncias, e ampliar a adesão às bicicletas.

O projeto contempla, especialmente, áreas próximas a corredores gastronômicos. Segundo Carolina, os novos tipos de intervenção realizados em eixos comerciais estão localizados em 15 pontos da cidade.

Pedestres ganharam área parcial das ruas para se deslocar com distância segura
Espaço ampliado: Parte das faixas de veículos foram parcialmente bloqueadas para a criação de uma espécie de corredor de pedestres que operam 24 horas por dia nas principais avenidas. Demarcações no asfalto reforçam a mensagem de “Manter a distância” e a metragem a ser respeitada.

Feiras locais: O funcionamento das feiras locais também foi reduzido e reprogramado – permite-se que ocorram no máximo quatro feiras nessas demarcações. A população tem acesso controlado para evitar aglomerações dentro do espaço. As barracas estão a uma distância segura e apresentam elementos protetores separando vendedores de consumidores, além da distribuição de álcool gel.

Entrada de clientes em feiras locais é controlada para evitar aglomerações
Manual do Comerciante: Uma espécie de manual traz orientações e exemplos de um funcionamento seguro para as lojas, sobre como intervir no espaço próximo ao seu comércio seguindo um padrão estabelecido pelo governo.

O manual detalha os materiais e técnicas de produção e define os componentes de projeto necessários para que o comerciante faça a intervenção de forma independente. A proposta é delimitar distâncias pessoais nas filas de espera com elementos cotidianos, como fitas, adesivos, mesas ou cadeiras.

Critério de seleção das áreas de intervenção: Importantes eixos comerciais da cidade foram priorizados, onde há maior densidade de pedestres ou potenciais multidões podem ser geradas.

Velocidades máximas: Para que esses novos espaços sejam seguros para um maior volume de pedestres foi necessário adaptá-los já que geralmente possuem outro tipo de uso. A velocidade máxima dos veículos foi reduzida em 10 km/h, dependendo da velocidade máxima normalmente estabelecida. Ou seja, algumas avenidas passaram de 60 para 50 km/h e assim por diante – a velocidade foi alterada em todo o trecho da intervenção e nos 100 metros que antecedem cada adaptação.

Além disso, cada espaço traz sinalizações e placas de trânsito comunicando as alterações e agentes de trânsito acompanham cada uma dessas intervenções para garantir que tudo seja cumprido e as velocidades respeitadas. 

Fonte: Diário do Comércio | 21 de outubro de 2020.