Ciência de Decisão: o próximo passo do varejo

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Não é segredo para ninguém que a cadeia varejista tem uma operação bastante complexa. Enquanto em uma ponta há centenas ou milhares de produtos vendidos aos consumidores, com diferentes características e fatores, na outra há a gestão de estoque e os pedidos, a alocação de equipes de vendas, as ações de marketing, os fornecedores, os centros de distribuição, etc.

Uma gestão com inteligência de dados tem potencial de impactar significativamente toda a economia global – principalmente o setor varejista. Hoje diversas ineficiências operacionais e estratégicas neste setor decorrem de um uso pouco inteligente da tecnologia. Alguns recursos importantes: IoT e visão computacional, por exemplo, monitoram e coletam os dados de interesse para a operação; data lake e big data armazenam e tratam essas informações; enquanto o analytics extrai os primeiros insights e a inteligência artificial possibilita tomar decisões.

É preciso salientar que o varejo global ainda está atingindo a maturidade nas etapas iniciais do processo de transformação digital. Na próxima década, observaremos o “platô de produtividade” dessas tecnologias. Ou seja, após o pico, as iniciativas de inteligência de dados passarão a ser mais certeiras, baratas, difundidas e, mais importante, reverterão mais valor às companhias. Este movimento coincide com o surgimento da “Ciência de Decisão”, que nada mais é do que a sistematização em algoritmos da última perna de um processo decisório.

No Brasil, apesar do enorme esforço que as empresas de varejo têm feito para empreender suas transformações digitais, pouco valor foi extraído dessas iniciativas. O processo de transformação digital passa por quatro etapas: coleta de dados e estruturação da base, extração dos primeiros insights, uso de algoritmos para compreender fenômenos e geração de recomendações. Os varejistas brasileiros ainda estão no estágio de preparar as bases de dados e algumas iniciativas isoladas, contudo, já rendem bons frutos.

Nos próximos dez anos o varejo vai aumentar sua rentabilidade com o uso de Inteligência baseada em dados, e o consumidor vai melhorar sua experiência em igual proporção. Ao ter acesso mais fácil aos produtos que deseja, a um preço mais próximo ao que pretende pagar e no canal que quiser (físico, on-line ou misto).

Fonte: Estadão | 10 de junho de 2020