China x EUA, as distinções entre o mercado e o varejo dos dois países

Foto: Rodrigo Augusto

Qual é o cenário do consumo e varejo norte-americanos do qual o varejo é pautado? Na NRF de 2019, havia um amplo espaço do consumo asiático. O Alibaba, por exemplo, expôs tecnologias vendidas na China para os norte-americanos. Em 2020, dos mais de 499 palestrantes apenas dois eram representantes de empresas asiáticas e ambos participaram de painéis menos nobres do que a maioria.

O que o evento fez esse ano foi “jogar o jogo político” e tirar a Ásia do evento. “Não podemos nos dar ao direito de tirar a Ásia. Não é possível pensar em futuro ignorando esse continente”, comentou o COO do Grupo GS& Gouvêa de Souza, Eduardo Yamashita, durante edição do Retail Trends Pós NRF, em São Paulo.

O bloco Ásia/ Pacífico representa muito do PIB global e cresce acima do resto do mundo. No critério PPP, qualidade do poder de compra, os asiáticos são muito relevantes. A China é a maior economia do mundo, a Indonésia é maior do que o México, a França e o Reino Unido. Filipinas sobrepõe 9 países, Vietnã, 17 (incluindo Suíça e Bélgica) e Mianmar superou 24 países em 23 anos.

“A revolução também vem pelos ecossistemas de negócios. Todos os conglomerados chineses estão organizados em ecossistemas de negócio (…). A Xiaomi (com grande espaço aqui no Brasil) e a Tencent (dona do Whatsapp chinês) são grandes exemplos”, ressalta o executivo.

A Ásia tem grande influência econômica e expande muito o seu território. A digitalização do consumidor asiático faz com que as economias estejam, lá, também, muito digitalizadas. Os meios de pagamento, por consequência, estão muito avançados (mobile payment em alta).

“A Luckin Coffe, maior concorrente do Starbucks na Ásia, entrou no mercado chinês há pouquíssimo tempo, só permite pagamentos pelo aplicativo da loja e tende aumentar a quantidade de lojas. Já a Starbucks, americana, no mercado há 20 anos, cresce 20 por cento todos os anos, mas está ficando para trás em relação à concorrente.”, pontua Yamashita.

Em suma, os Estados Unidos da América, em contrapartida à China, embora esteja com a economia crescendo e a confiança do consumidor aumentando, tem uma quantidade de lojas fechadas muito superior a aquelas que estão abrindo por lá. Esse fenômeno se chama Apocalipse. Sendo assim, essa é uma tendência a ser observada em um mundo tão globalizado e plural.

Fonte: Mercado & Consumo | 06 de fevereiro de 2020.