Avanço do e-commerce pede aceleração da transformação digital no varejo físico

Foto: No Varejo

O aumento da relevância do ambiente digital impactou todo o mercado. Alguns setores, porém, foram especialmente marcados por essa transformação. Um exemplo é o varejo que, antes, se caracterizava especialmente pelo contato direto com a loja: para comprar algo, era preciso ir até um local específico.

As lojas digitais, porém, trouxeram novas perspectivas, desafiando empresas a desenvolver estratégias nunca pensadas antes – de marketing, atendimento, logística, entre outros aspectos. Diante dessas circunstâncias, surgiram modelos de negócio capazes de facilitar e transformar a experiência que quem opta por comprar on-line.

“A mudança que aconteceu no varejo foi radical”, afirma André Ferraz, CEO da In Loco. Como ele conta, o setor passou de um modelo em que a referência era o Walmart, com sua estratégia de preços baixos, para o formato da Amazon, que consegue oferecer experiência sem penalizar nem o cliente, nem a cadeia e, mesmo assim, crescer de forma consistente e sustentável.

André Ferraz (em pé), CEO da In Loco

Durante um bom tempo, contudo, por mais que a Amazon desafiasse o varejo tradicional, ainda havia uma separação entre físico e digital: quem preferia comprar na loja não tinha como escolher a empresa, pois ela costumava ser totalmente on-line. Mas essa realidade mudou. A Amazon entrou no varejo físico ao comprar a Whole Foods, rede de produtos orgânicos. “Tudo o que acontece com a Amazon reflete nos parceiros e no mercado”, comenta Ferraz. Naturalmente, nesse caso não foi diferente.

A loja física é essencial
Essa é uma demonstração de que, por mais que o digital faça muito barulho, o ambiente físico ainda é extremamente importante. Ferraz explica, por exemplo, que a pesquisa on-line diz menos sobre a propensão de compra do consumidor do que uma pesquisa física – afinal, é fácil demais procurar algo na internet, enquanto dificilmente alguém vai a uma loja apenas para matar uma curiosidade sobre um item.

“Entender a loja física é uma forma mais confiável de entender comportamento de compra”, afirma. Por isso, o modelo de negócio da In Loco se construiu para entender a forma como o consumidor se desloca entre lojas. “Desenvolvemos uma tecnologia de localização com precisão de 2,8 metros que dispensa o uso de hardware”, explica. Dessa forma, é possível perceber até mesmo quando um cliente vai de uma para outra loja dentro do shopping.

Referência dentro do varejo
Com o uso da tecnologia, o varejo avança como setor, chegando perto de empresas que atuam fora do Brasil. Um dos grandes exemplos nesse sentido é o Magazine Luiza, empresa que investiu na união entre on-line e off-line, por meio de diversas iniciativas. “Começamos o e-commerce em 2000”, afirma Fred Trajano, CEO da empresa. “Para mim estava claro que o e-commerce seria um divisor de águas”. Porém, ele conta que nunca imaginou o fim da loja física.

Com o uso do digital, o Magazine Luiza oferece um serviço de logística de qualidade, além de dar autonomia para que cada loja tenha sua página nas redes sociais, dialogando com os clientes de forma única e criativa. “Com isso, a equipe se sente parte do processo”, diz.

Fonte: No Varejo | 05 de dezembro de 2018