Após ano fraco, varejo de roupa infantil ensaia reação

Foto: Valor Econômico

Após um desempenho fraco no ano passado, o varejo de moda infantil prevê crescimento mais forte em 2019. No ano passado, o número de peças vendidas encolheu 0,3%, para 1,54 bilhão. Em valor, houve aumento de 3,2%, para R$ 56,39 bilhões, segundo a Iemi Inteligência de Mercado, consultoria especializada em moda.

Para este ano, a Iemi estima crescimento de 3,3% em volume, chegando a 1,59 bilhão de peças. Em valor, as vendas podem aumentar 7,5%, para R$ 60,62 bilhões.

“A expectativa é de um cenário mais otimista para a moda infantil neste ano, acompanhando a recuperação da economia”, diz Marcelo Prado, diretor da Iemi. As maiores expectativas estão voltadas ao consumo de produtos de valor agregado mais alto.

Algumas redes de lojas de moda infantil tiveram desempenho abaixo do esperado em 2018, disse Prado. É o caso das redes PUC e Hering Kids, pertencentes à Cia Hering. “As lojas de franquia não foram muito bem. A empresa tentou reativar vendas nas lojas multimarcas, mas o resultado não foi bom”, afirmou o analista.

Segundo dados preliminares divulgados pela Cia. Hering, as vendas da Hering Kids tiveram queda de 5,5% em 2018, totalizando R$ 230,2 milhões. As vendas da PUC encolheram 12,2% no ano, para R$ 105,4 milhões. A rede fechou dez lojas, ficando com 46 unidades. No ano, a Hering Kids teve sua rede reduzida em uma loja, para 103 unidades. Procurada, a Cia. Hering não se pronunciou.

A Malwee, dona das marcas Carinhoso, Zig Zig Zaa e Malwee Kids e da rede de lojas Malwee Kids, informou ter fechado 2018 com crescimento de 5% nas vendas de moda infantil. A empresa não divulga dados de receita e lucro.

Guilherme Weege, presidente da Malwee, disse que houve uma melhora no ritmo de crescimento de vendas no período de Natal. “Acreditamos numa retomada em 2019, com desempenho mais robusto para o setor”, afirmou. O executivo estima para este ano crescimento de 15% a 20% nas vendas das marcas infantis.

Weege disse que a Malwee pretende abrir 10 lojas de franquia da Malwee Kids em 2019. No ano passado, não houve abertura de lojas; a rede ficou com 40 unidades em operação. Desse total, dois terços são franquias. “Estamos otimistas com o mercado, mas o número de novas lojas vai depender muito do ambiente econômico”, afirmou.

A Marisol (dona das marcas Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre e da rede Lilica & Tigor), informou que não ter porta-voz para falar sobre o desempenho da sua rede de lojas. De acordo com informações do site da companhia, a rede opera com cerca de 130 lojas. Em 2017, eram 150 unidades.

Na avaliação da Iemi, o encolhimento de redes consagradas e a expectativa de expansão mais forte nas vendas de 2019 abrem espaço para concorrentes menos conhecidos, como o Grupo Kyly, de Pomerode (SC).

Fundado em 1985, o Grupo Kyly é dono das marcas de moda infantil Kyly, Milon, Amora, Lemon e Nana, vendidas no varejo multimarcas. É dono, também, da rede de lojas de moda infantil Milon. “A marca tem um perfil mais adequado para competir com outras marcas em lojas de shopping centers”, diz Claudinei Martins, diretor comercial do grupo.

O executivo planeja acelerar o crescimento do grupo nos próximos anos, pelo sistema de franquia. A meta é abrir 150 lojas até 2023. Neste ano, serão 22.

Em janeiro, o Grupo Kyly abriu três unidades – em Porto Velho, Manaus e Belém. Com isso, a rede atingiu 47 lojas, das quais 21 são unidades próprias e 26, franquias.

Martins disse que o grupo começou o projeto com lojas próprias para testar o mercado. A intenção, agora, é converter 15 das 21 lojas próprias em franquias. “A ideia é fechar o ano com 66 lojas no total, sendo 60 franquias e seis lojas próprias. Vamos entregar aos franqueados unidades rentáveis e em expansão”, afirmou o executivo.

O grupo prevê crescimento de 12% na receita em 2019, passando dos R$ 445 milhões registrados no ano passado para R$ 500 milhões. Em 2018, a receita cresceu 3%. “Nos últimos anos, os consumidores frearam as compras, por causa da recessão. A expectativa é que o consumo volte a crescer neste ano, principalmente de produtos mais elaborados”, afirmou Martins.

De acordo com o executivo, as vendas na rede de lojas Milon representam em torno de 18% da receita total da companhia. Até 2023, a expectativa é que operação de varejo represente entre 26% e 27% da receita. Martins projeta para o período de 2019 a 2023 crescimento médio de 10% ao ano, chegando a uma receita de aproximadamente R$ 720 milhões.

O Grupo Kyly foi fundado em 1985 pelos irmãos Salézio José e Elias Martins. Inicialmente, a empresa era fabricante de vestuário infantil. Em 2010, passou a atuar diretamente no varejo.

Entre 2014 e 2017, o Grupo Kyly investiu R$ 60 milhões para ampliar sua fábrica. Para 2019, o plano é investir R$ 40 milhões em equipamentos para ampliar a capacidade produtiva. A empresa produz 18 milhões de peças por ano. Martins disse que, com a ampliação, o grupo poderá fabricar 30 milhões de peças por ano. “Hoje, o grupo opera com 95% da capacidade”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico | 25 de janeiro de 2019