Aplicativo recifense oferece entregas flexíveis e busca aproximação com o consumidor

Aplicativo Mercato oferece entrega grátis – Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O contexto de isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 provocou alterações significativas nos hábitos de consumo da população. O ato de ir ao mercado e às feiras-livres, por exemplo, foi um dos mais afetados pela pandemia.

Mesmo com as restrições e medidas de segurança, há quem prefira evitar sair de casa e recorrer ao delivery para fazer a feira. Para atender as demandas desse público, um grupo de desenvolvedores criou a plataforma Mercato, app criado no Recife que permite ao usuário comprar de uma forma rápida e segura. 

A plataforma, lançada em julho, surfou na onda do crescimento do e-commerce durante a pandemia e, desde o lançamento, segue angariando usuários. No início, eram comercializados somente produtos de hortifruti por meio do WhatsApp, mas a ideia evoluiu e, atualmente, conta com um aplicativo que reúne mais de 500 itens distintos; entre eles, carnes, massas, bebidas, frios, entre outros produtos. 

O modelo de vendas, chamado pela equipe de Marketplace, é diferente do que é oferecido pelas plataformas de delivery mais conhecidas. O cliente, cadastrado na plataforma especializada em supermercados, compra a mercadoria e programa a entrega para um momento escolhido a partir do dia seguinte.

No intervalo entre o pedido e a entrega, a equipe da Mercato entra em ação, compra o produto solicitado pelo usuário e leva até o endereço cadastrado. “É um modelo que não dá desperdícios, não temos dinheiro empenhado em estoque, isso proporciona uma operação muito lisa e saudável”, diz um dos idealizadores da startup, Hildo Azevedo Neto.

Segundo os desenvolvedores, o principal ganho que o usuário tem ao optar por fazer as compras pelo aplicativo está relacionado à otimização do tempo. “Tornou-se possível fazer em 10 minutos o que antes era feito em duas ou três horas. Além de receber produtos de qualidade, e poder escolhê-los e recebê-los na hora que desejar, com apenas alguns cliques no telefone ou computador, o tempo utilizado para fazer essas compras, pode, agora, ser útil para desempenhar outras atividades”, garantem os desenvolvedores.

A plataforma aposta, sobretudo, em oferecer uma aproximação entre o cliente e as pessoas que trabalham na Mercato, de modo que a demanda pode ser especificada de acordo com as preferências do consumidor. “Cada consumidor tem um gosto, então precisamos atendê-los da melhor maneira possível. Temos uma variedade de produtos muito boa, todas as madrugadas nosso time de compras vai até o Ceasa para comprar produtos frescos e levá-los para a mesa do consumidor final”, conta Hildo. 

Além do foco em supermercados, que permite que o usuário faça escolhas mais específicas relacionadas às preferências, a Mercato oferece a possibilidade de entregar feiras maiores, o que não é viável nos aplicativos mais conhecidos do ramo. “As plataformas têm limitações. Uma delas é o motoqueiro que vai levar a feira, eles têm uma capacidade menor de entrega do que a que o nosso serviço oferece. Um ticket médio de hortifruti nosso é de aproximadamente R$ 110. Por causa do volume dos produtos, os motoqueiros não conseguem entregar uma feira desse tamanho, já a nossa plataforma faz todas as entregas de carro”, diz o empreendedor. 

Segundo os desenvolvedores, boa parte dos usuários já cadastrados na plataforma são idosos, um dos grupos mais afetados pela pandemia causada pelo Sars-CoV-2. De casa, o grupo de risco teve que se adaptar às tecnologias. Por isso, a concepção da Mercato teve por objetivo a criação de um ambiente simples e acessível, que fizesse com que a adaptação ao aplicativo acontecesse de forma orgânica. 

Hildo conta que a ideia de criar um mercado online surgiu há doze anos. No entanto, as ferramentas e os hábitos de consumo da época não favoreciam o desenvolvimento da ideia. A expansão do comércio online e do conceito de “uberização” permitiram ao desenvolvedor que a ideia saísse do papel. “A gente não compra e vende produtos, vendemos serviços. Nosso fornecedor é quem define o preço das vendas e nossa plataforma ajuda a vender esses produtos; a gente fica com um percentual e esse percentual nos ajuda a maximizar o negócio”, afirma Hildo. 

Para ele, a potencialização do e-commerce nos últimos meses ainda não foi assimilada pelos representantes do varejo tradicional. “As pessoas estão pouco atentas às mudanças que vão acontecer no varejo tradicional. Vai continuar existindo, mas, por poder se posicionar em lugares diferentes, poderá trabalhar com custos menores”, comenta Hildo. Nesse sentido, a Mercato busca ampliar sua base de clientes e, consequentemente, a área de cobertura. No momento, o aplicativo realiza entregas no Recife e em Jaboatão e Olinda, com restrições. 

Serviço
O aplicativo da Mercato está disponível para download na AppStore e na loja do Android. Para o Recife, o pedido mínimo é acima de R$ 50; já para outras cidades da Região Metropolitana, o valor mínimo de compras é R$ 70. Todos os pedidos têm frete grátis. 

Fonte: Folha de Pernambuco | 14 de outubro de 2020.