Agilidade, reinvenção e experiências digitais: as maiores tendências do novo varejo

Foto: Vogue

A pandemia que trancou boa parte do mundo em quarentena veio trazendo consigo a necessidade concreta de mudanças no varejo. Com muitas fábricas paradas e escritórios e lojas fechados, a indústria se vê repensando todo o seu formato para falar com um novo mundo que parece estar nascendo – com suas necessidades e cobranças próprias.

Mas como será feito este movimento? Segundo o autor, consultor, palestrante e especialista em design para a sustentabilidade André Carvalhal, agilidade, reinvenção, um dedicado olhar ao digital e uma experiência holística para o cliente serão fundamentais.

Prova disso estão em algumas iniciativas que ele já vem pescando na internet, como a da empresa Obsess – uma plataforma de realidade aumentada e inteligência artifical para marcas criarem suas lojas online com espaços virtuais totalmente interativos. 

Já na beleza, as empresas de cosméticos Deciem e Kiehl’s transformaram suas equipes de varejo em consultores virtuais para atendimento online personalizado: “Assim, elas mantém seus funcionários empregados e ajudando clientes a encontrarem produtos certos.”

Aqui, ele conversa com a Vogue e dá suas previsões para o futuro do varejo:

Dentro destas novas iniciativas que você anda observando, você consegue já detectar alguma tendência?

André Carvalhal: Acho que já estamos vendo na prática a necessidade da presença digital. O distanciamento físico fez com que o varejo fechasse e a atenção se voltasse para o digital, e tenho visto muitas marcas se comunicando e tentando fazer isso. Da mesma forma que víamos uma preocupação entre as lojas físicas de expandir a experiência de seus clientes com cheiro, música ou uma identidade própria, acho que o que vamos começar a ver agora – e que ainda não dá para notar tanto por conta do tempo – é este mesmo investimento nos canais de e-commerce. Justamente por essa necessidade que tem o ponto físico: criar uma experiência única. Acho que a inteligência artificial e o streaming, por exemplo, surgirão como aliados, como já vemos lá fora – é o caso da Burberry, que vinha fazendo isso com os streamings de seus desfiles e a venda de suas peças imediatamente. Acho que esse tipo de coisa será muito incorporado. Todo esse movimento está disseminando de uma série de tendências tecnológicas.

O que você acha crucial, nesta “nova era do varejo”, que estes profissionais/empresas saibam?

André Carvalhal: Tem uma frase que gosto muito: O sucesso de uma empresa depende do sucesso do planeta e do sucesso das pessoas. Tudo o que a gente produz vem do planeta, e tudo isso por sua vez é produzido por pessoas e para pessoas. Acho que a noção que vai precisar ser mais latente nas marcas é que a gente não cuida dos planetas nem das pessoas a gente se dá mal. As marcas sofrem as má consequências disso – é um pouco o que está acontecendo agora. O planeta está doente e as pessoas também – física e mentalmente. Assim, temos dificuldade de recursos, canais, produção e venda. Esse momento vai trazer para as marcas e as pessoas esta consciência. Quando falamos em ser sustentáveis – cuidar das pessoas e do planeta – estamos falando de cuidar dos nossos negócios e da nossa vida. Acho que isso vai ser uma noção cada vez mais clara para as pessoas. Ou assim espero.

Como você acha que a pauta da sustentabilidade seguirá no varejo pós-pandemia?

André Carvalhal: Acho que com uma consciência cada vez maior das pessoas, virá também esta postura de cobrar cada vez mais das marcas ações que ajudem a cuidar e preservar não só as pessoas como o planeta. Hoje estamos vivendo uma situação limite, em que várias coisas precisam ser cuidadas, e acho que tem muita oportunidade de cada marca buscar entender em que pode atuar: no social, no econômico, em novos modelos de negócios, promovendo informação, trazendo conteúdo ou capacitação. Daqui para frente, para construirmos esse novo mundo, vamos precisar cuidar de uma série de coisas que estão à nossa volta, e cada vez mais as pessoas vão entender que este é também um papel das marcas – ao invés de apenas produzir e vender produtos.

Fonte: Vogue | 17 de abril de 2020