A hora é de comparar os preços das maquininhas

Foto: Diário do Comércio

Até quem não acompanha de perto o mercado de meios eletrônicos de pagamento deve ter notado que o setor atravessa um período de profundas transformações e, principalmente, de acirramento brutal da concorrência.

São comerciais cada vez mais frequentes na televisão, propagandas nos pontos de ônibus e relógios da cidade, ofertas de maquininhas nas páginas da internet, todos anunciando promoções cada vez mais agressivas das principais credenciadoras do mercado.

Entre as movimentações recentes, vale destacar a da GetNet, do Santander, que anunciou a redução para 2% da taxa cobrada de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEI) sobre as vendas no débito e no crédito em uma parcela, com o pagamento dos valores aos comerciantes em até dois dias; e a da Rede, do Itaú, que zerou as taxas de antecipação das vendas realizadas nas compras com cartão de crédito à vista para os lojistas que tenham conta no Itaú.

Como resposta, a PagSeguro lançou o pagamento instantâneo para cartões de crédito e débito, o qual permitirá que os clientes da empresa recebam as vendas no cartão de crédito à vista, parcelado e no cartão de débito no mesmo horário da transação, mesmo durante fins de semana e feriados.

O movimento foi acompanhado pela Cielo que, após a divulgação de seus resultados do 1º trimestre de 2019 (quando registrou lucro líquido 40% inferior ao do 1º trimestre de 2018), anunciou que também realizará pagamentos de recebíveis de forma instantânea para clientes que possuam conta digital da empresa.

Uma série de mudanças regulatórias observadas a partir 2010 –como o fim da exclusividade entre credenciadoras e bandeiras –, somada aos avanços tecnológicos – e consequente redução de custos operacionais –, vem alterando o cenário concorrencial desde então, viabilizando a entrada de novas maquininhas no mercado (com destaque para PagSeguro e Stone, que recentemente abriram o capital em Nova York) e, com isso, aumentando a competição no setor.

O modelo de venda de maquininhas, em particular, introduzido pela PagSeguro, foi muito bem-sucedido entre micro e pequenos empresários, um segmento por muito tempo negligenciado pelas grandes credenciadoras, mas que agora vem recebendo cada vez mais atenção tanto por causa de seu elevado potencial de crescimento e necessidade de crédito, como pelo encurtamento das margens no segmento de grandes empresas.

No segmento de pequenos negócios, as oportunidades para a indústria de pagamento são enormes não apenas pela quantidade de empresas, mas também pelo menor nível de profissionalização, pela necessidade de suporte financeiro e pela maior dificuldade para comparar os serviços ofertados, o que representa possibilidades de margens financeiras maiores para as credenciadoras.

Nesse segmento, desbravado, como foi dito, pela Pagseguro, prevaleceu o modelo de venda de maquininhas, muito associado ao poderoso slogan “fuja do aluguel”.

Hoje, com o acirramento da concorrência, observamos um verdadeiro vale-tudo para conquistar esse público, com a contratação de artistas populares para divulgação, promessas irresistíveis de taxa zero, cartões de pagamento para quem não tem conta bancária e diferentes modelos de precificação, entre outros.

Com a ressalva dos asteriscos e das letras miúdas dos contratos, o cenário se assemelha ao de uma feira livre, de forma que, assim como em uma feira livre, está ganhando o cliente quem fala mais alto ou tem o discurso mais afinado.

O cliente, contudo, muitas vezes é induzido a tomar decisões ruins, como, por exemplo, escolher a maquininha pelo seu preço de venda, negligenciando todas as taxas associadas a ela.

Em geral, num horizonte de 3 anos de avaliação, o valor de aquisição da maquininha não ultrapassa 5% do custo total de se efetuar vendas com cartões. A maior parcela desse custo, portanto, está nas taxas sobre as vendas e no recebimento antecipado. Em cenários extremos, a fornecedora pode cobrar uma taxa de até 48% do valor da venda, acreditem.

Para o comércio, em particular para os pequenos negócios, o acirramento da concorrência representa uma excelente oportunidade de reduzir as despesas relacionadas às vendas via meios eletrônicos, entre as quais se destacam as taxas de desconto pagas sobre o valor de cada venda realizada no cartão, a compra ou o aluguel das maquininhas e a taxa de antecipação de recebíveis.

Diante de tantas opções, promoções e tantos modelos de precificação, contudo, o empreendedor pode ter dificuldade para comparar as vantagens e desvantagens de cada maquininha.

Mas qual é, afinal, a melhor maquininha?

A resposta, obviamente, não é trivial, valendo a clássica expressão de que “cada caso é um caso”, pois cada negócio tem suas particularidades, as quais devem ser consideradas na escolha da maquininha.

Em primeiro lugar, o empreendedor deve conhecer seu perfil das vendas com cartões: qual o volume no débito, no crédito em uma parcela e no crédito em duas ou mais parcelas? Para esta última modalidade, é fundamental conhecer o quanto se vende em duas parcelas, em três e daí por diante. Além disso, é necessário entender a real necessidade de caixa para definir se o recebimento das vendas será ou não antecipado.

Também é importante mapear quais bandeiras ele necessita aceitar, pois nem todas as credenciadoras possuem acordos com as bandeiras regionais e os vales (refeição e alimentação).

Caso o empreendedor não disponha de uma conta corrente em banco, ele deve procurar as credenciadoras que disponibilizem seus créditos em cartões pré-pagos ou em conta digital.

Outros aspectos mais técnicos também devem ser considerados, tais como a necessidade de imprimir o comprovante de venda com cartões, a mobilidade (máquina sem fio) e a qualidade da cobertura de sinal de telefonia celular na região.

Pensando em ajudar o empreendedor, surgiram recentemente ferramentas que permitem a comparação de maquininhas, como o site a melhor maquininha (desenvolvido pela R2S2 Consultoria), que faz simulações customizadas para cada tipo de negócio.

Ele funciona, basicamente, da seguinte maneira:

  1. O usuário define suas necessidades, por meio de um formulário simples;
  2. O site procura as menores taxas e também traz referências de qualidade (nota do reclame aqui) das principais fornecedoras do mercado;
  3. Cada usuário utiliza seus próprios critérios para ponderar aspectos de custos e qualidade e tomar sua decisão. Importante: o site não efetua vendas. Portanto, qualquer contratação de maquininhas é feita diretamente no site das fornecedoras.

Vamos utilizar o exemplo de uma pessoa física vendedora de bijuterias e acessórios, supondo que ela venda mensalmente R$ 7.500 via cartões de débito e crédito, na proporção de 30% e 70%, respectivamente, com recebimento antecipado.

Se a proporção de vendas com cartões de crédito for 100% na modalidade “crédito à vista”, a maquininha com menor custo é a Getnet no plano SuperGet com chip, com uma taxa equivalente a 2,04% das vendas (considerando custo do equipamento e taxas num horizonte de 3 anos).

Caso a empreendedora passe a vender com a modalidade “crédito parcelado” em até 3 parcelas, na proporção de 60% do total das vendas com cartões de crédito, então a maquininha com menor custo é a SumUp Top, com taxa equivalente de 4,69%.

Finalmente, caso a empreendedora opte por vender apenas com cartões de débito, a maquininha com menor custo é a Safrapay – Sem bobina – GPRS, com taxa equivalente de 1,90%.

Observe que, para uma mesma empreendedora, com mesmo volume de vendas, portanto, a depender do perfil de suas vendas, a maquininha com menor custo varia entre diferentes provedores de serviços de pagamentos.

Por fim, vale ressaltar que, no ato da escolha da melhor maquininha, é recomendado que o empreendedor considere, além do critério de menor custo, outros fatores como, por exemplo, a qualidade do atendimento da empresa.

Foto: Diário do Comércio

Fonte: Diário do Comércio | 30 de abril de 2019